WSJ: Bombay Rude? Hard to Digest!

junho 26, 2006 at 11:57 pm (matutando, viajando)

Hoje o Wall Street Journal trouxe Bombay Rude? Hard to Digest!, por Suketu Mehta. O autor fala de sua surpresa ao ver os resultados de uma pesquisa pelo Readers Digest sobre a gentileza em cidades de 60 países, indicando Bombaim (Mumbai) como cidade mais rude do mundo, e Nova Iorque como a mais gentil.

Londres, por Colin Gregory PalmerDe acordo com a pesquisa, Bombaim é rude porque falhou nas três medidas de polidez adotadas pelo Readers Digest: as pessoas não dizem obrigado, não seguram portas para os outros, e não ajudam estranhos a catar papéis caídos. Só esqueceram de dizer que indianos costumam agradecer sem palavras usando um movimento da cabeça, que os prédios onde a pesquisa foi feita têm porteiros, e que já tem tanto lixo nas ruas de Bombaim que ao ver-se uma pessoa deixando algo cair, imagina-se que foi atitude intencional. (Ao lado vai uma foto em Londres, por Colin Gregory Palmer.)

Suketu Mehta conhece bem as duas cidades, é autor de Maximum City: Bombay Lost and Found, e já escreveu para o New York Times falando da renascença do Brooklyn. Agora ele sugere uma nova pesquisa usando as suas medidas de cortesia cívica: se os usuários de transporte público abrem lugar para mais uma pessoa se sentar, se adultos sorriem para filhos de estranhos mesmo que a criança seja barulhenta, e se pessoas comendo numa cabine de trem compartilham sua comida com estranhos.

Finalmente, Mehta reproduz um parágrafo de um artigo escrito por ele mesmo e publicado na Readers Digest em 1997:

“If you are late for work in Mumbai and reach the station just as the train is leaving the platform, don’t despair. You can run up to the packed compartments and find many hands unfolding like petals to pull you on board. And while you will probably have to hang on to the door frame with your fingertips, you are still grateful for the empathy of your fellow passengers, already packed tighter than cattle, their shirts drenched with sweat in the badly ventilated compartment. They know that your boss might yell at you or cut your pay if you miss this train. And at the moment of contact, they do not know if the hand reaching for theirs belongs to a Hindu or a Muslim or a Christian or a Brahmin or an Untouchable. Come on board, they say. We’ll adjust.”

Isto é o que o autor chama de abrir portas para os outros. Eu concordo. Nesta cidade da Flórida onde moro é comum duas pessoas ocuparem um banco de quatro lugares com suas mochilas ou pés, para evitar que alguém se sente ao lado, e ignorando pessoas idosas ou gestantes que estejam por perto. Dentro do ônibus, os estudantes de pé mantém enorme distância uns dos outros, muito embora muitos outros estudantes queiram entrar e o motorista peça para quem já está no ônibus fazer espaço. Quem está de fora continua por lá, esperando por 30 minutos pelo próximo ônibus, e perdendo a hora da aula.

O individualismo é extremo. Difícil de entender que estudantes não se solidarizem com outros estudantes. Qualquer contato visual é evitado, e as únicas conversas ouvidas são carregadas através de telefones celulares. Ah, quanta oportunidade de paquera é perdida…

Ano passado ocorreu um episódio interessante. Passei uns dias num dormitório de estudantes em Nantucket, visitando meu marido que fazia um curso por lá. Trouxe chocolate brasileiro para dividir com os cinco companheiros de dormitório, e meu marido e eu compramos ingredientes e preparamos um jantar para todos nós. Estávamos sem sobremesa, pois o chocolate já tinha sido comido antes do jantar. Um dos rapazes que mais tinha se servido do chocolate brasileiro se levantou da mesa, pegou um pacote cheio de chocolates no seu quarto, serviu-se de dois pedaços na nossa frente, e voltou para mastigá-los na nossa companhia. Eu quase entro em estado de choque cada vez que lembro do ocorrido.

Mas também atesto para a realidade de que aqui se diz obrigado exaustivamente, as pessoas costumam segurar a porta para quem vem atrás e, tirando os dias de jogos e desfiles, dificilmente se vê um papel caído na rua.

Em minha primeira visita à Buffalo, cidade no estado de Nova Iorque na fronteira com o Canadá, estacionamos junto ao correio para olhar o mapa e conferir que estávamos na direção certa. Uma senhora bateu no vidro do carro, pensamos que fôssemos levar uma bronca por ter estacionado em lugar proibido. Não, ela tinha nos visto com o mapa e estava perguntando se estávamos perdidos ou precisávamos de ajuda. Em visitas subseqüentes àquela cidade, confirmei a extrema gentileza e civilidade de seus residentes.

Quanto à cidade de Nova Iorque, não conheço melhor exemplo de sua civilidade do que quando houve o atentado terrorista no World Trade Center, e as pessoas foram descendo as escadas sem se atropelarem umas às outras, mesmo sabendo que talvez não houvesse tempo para todos chegarem lá embaixo antes do prédio ruir. Numa situação dessas não haver empurra-empurra fala muito a respeito de um povo.

Estes dias eu estava esperando pelo ônibus e, embora houvesse dois outros bancos vazios, um rapaz de aspecto sul-asiático sentou-se ao meu lado. Abriu um vasilhame e, antes de começar a comer, me ofereceu para partilhar de sua refeição. Recusei mas agradeci, dando-lhe um sorriso direto nos olhos, e fiquei pensando em como seria bom ter o melhor dos dois mundos.

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Seaweed Cake

junho 25, 2006 at 11:04 pm (abstraindo, misturando)

img_0132_peq.jpg

Uma família amiga está voltando ao México, e hoje tivemos um almoço para nos despedirmos. A intenção inicial era um bolo em vermelho, verde e branco, mas quando comecei a trabalhar com o fondant acabei optando por verde oliva e rosa antigo.

A inspiração com os novos tons foi de flores do campo, mas meu marido batizou a criação de Seaweed Cake, Bolo de Algas. Seja como for, ficou muito adequado, pois os homenageados são biólogos, o marido trabalha com leões marinhos (comedores de algas), a mulher com borboletas.

img_0116_peq.jpgEste maravilhoso prato de bolo foi presente de amigos muitos queridos, minha segunda família. Fiquei feliz de estreá-lo com um bolo que fizesse juz à sua beleza e carinho.

Há testemunhas de que o bolo também estava muito gostoso. Fiz um pão de ló de coco e rum, recheio e cobertura de manteiga batida com leite condensado. Finalmente recobri e decorei o bolo com fondant.


Pão-de-Ló de Coco

4 ovos
2 2/3 xícaras de açúcar
1 1/3 xícara de óleo
2 colheres de rum
2 2/3 xícaras de farinha de trigo
1 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1 1/3 xícara de leite
1 1/3 xícara de coco seco ralado bem fino
½ xícara de rum (opcional)

Pré-aqueça o forno em 175°C (350°F). Unte e enfarinhe uma forma desmontável de 25cm de diâmetro.

Bata os ovos em velocidade média-alta. Lentamente adicione o açúcar e bata até ficar um creme grosso e esbranquiçado. Adicione o óleo e o rum, bata bem. Adicione o fermento e a farinha, alternando com o leite. Junte o coco ralado e misture.

Derrame a massa na forma preparada. Asse por 70 à 90 minutos, ou até um palito enfiado no bolo sair limpo.

Deixe o bolo esfriar numa grade por 20 minutos antes de remover da forma. Corte o topo do bolo para nivelar, se desejar regue com ½ xícara de rum e deixe absorver. Deixe o bolo esfriar na grade antes de cortar horizontalmente.

Glacê de Leite Condensado

350g de manteiga
1 colher de chá de essência de baunilha
1 lata de leite condensado

Bata a manteiga em velocidade média-alta até ficar um creme esbranquiçado. Junte a baunilha e bata mais um pouco. Faça dois furos pequenos na lata de leite condensado e despeje a lata inteira, com a batedeira sempre ligada. Bata até formar consistência de glacê.

Este glacê é firme mas bastante macio e pouco resistente à calor, serve para rechear e cobrir bolos, e fazer decorações simples com bico de confeteiro (não serve para fazer flores ou formas elaboradas). Esta quantidade é suficiente para rechear o bolo generosamente, e para cobri-lo com uma camada fina (se não for recobrir o bolo com fondant, aumente a receita de glacê).

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NY Times: What Shamu Taught Me About a Happy Marriage

junho 25, 2006 at 12:47 pm (matutando)

Mulheres do mundo, aqui vai preciosa informação de como lidar com seus maridos, publicada no New York Times de hoje: What Shamu Taught Me About a Happy Marriage, por Amy Sutherland. 

As I wash dishes at the kitchen sink, my husband paces behind me, irritated. "Have you seen my keys?" he snarls, then huffs out a loud sigh and stomps from the room with our dog, Dixie, at his heels, anxious over her favorite human's upset.

In the past I would have been right behind Dixie. I would have turned off the faucet and joined the hunt while trying to soothe my husband with bromides like, "Don't worry, they'll turn up." But that only made him angrier, and a simple case of missing keys soon would become a full-blown angst-ridden drama starring the two of us and our poor nervous dog.

Now, I focus on the wet dish in my hands. I don't turn around. I don't say a word. I'm using a technique I learned from a dolphin trainer.

(…) The central lesson I learned from exotic animal trainers is that I should reward behavior I like and ignore behavior I don't. After all, you don't get a sea lion to balance a ball on the end of its nose by nagging. The same goes for the American husband.

O artigo prossegue explicitando algumas técnicas e conceitos. 

Faz-me lembrar de uma comédia engraçadíssima nos anos 60, If a Man Answers, em que Sandra Dee adestrava o seu marido. Engraçada hoje, pois na época parece ter deixado muita gente ofendida

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New Yorker: What I Learned

junho 22, 2006 at 12:23 am (matutando, sorrindo)

David Sedaris está na New Yorker de 26 de junho, discorrendo sobre os frutos de sua educação em Princeton: What I Learned.

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The Ball of Bastards

junho 20, 2006 at 12:02 am (abstraindo, sorrindo, torcendo)

The Piercing ShriekThe Ball of Bastards, um sítio criado por três graduados da Köln International School of Design, tem como propósito acalmar os fãs frustrados por tudo que há de errado na Copa de 2006.

Are you tired of watching your favorite team falter and fail?
Are you tired of not getting tickets to games – even though the stadiums are often half-empty?
Are you tired of watching over-paid players underperform?

If so, then we've got something for you. It's called THE BALL OF BASTARDS and it gives you a way of making it pay back time.

The Piercing Shriek é para matar o Pierluigi Collina a grito. Consegui fazê-lo em 34 segundos.

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Futebol e personalidades geopolíticas

junho 19, 2006 at 7:05 pm (matutando, torcendo)

Generalizações são sempre perigosas, mas quem resiste à tentação? Michael J. Agovino do New York Times fala da neurose dos holandeses, a paranóia persecutória dos italianos, o pessimismo melodramático dos ingleses, e naturalmente, o transtorno bipolar do torcedor brasileiro em Losses, and the Losing Losers Who Hate Them:

One favorite response is scapegoating. In 1950, Brazil, the host and favorite, lost in the final to Uruguay. The author Alex Bellos, in his book "Futebol: Soccer, the Brazilian Way," writes that the goalkeeper, Barbosa, "became the personification of the national tragedy." He died 50 years later, apparently unforgiven by his countrymen.

Although Brazil has suffered cataclysmic defeats in addition to 1950's, it has won a record five World Cups.

"Brazilians, to generalize awfully, are emotionally bipolar," Mr. Bellos, who divides his time between England and Brazil, said in an interview. "Everything is either the best in the world or the worst in the world. They have a superiority complex in terms of football, yet the flipside is a developing nation's crushing insecurity complex. When they win they forget their problems. They are the happy, party-loving. When they lose it reinforces a sense that they are useless and predestined towards failure — not just in football but in everything."

O artigo é interessante, mas carece de um comentário sobre nuestros hermanos porteños. Conhecidos que são pela abundância de psicólogos e psicanalistas per capita, é até injusto que logo as suas paranóias tenham ficado de fora.

No Wall Street Journal deste último sábado, Henry Kissinger (o próprio & continuando) falou de seu amor pelo esporte e fez suas próprias generalizações em entrevista para Frederick Kempe, Couch-Potato Diplomacy:

He's fascinated with how national characteristics translate into playing styles: Brazil's unbridled joy, England's noble purpose, Germany's grim determination.

Aqui eu faço parêntesis e peço que alguém me elucide sobre os nobres propósitos da Inglaterra. Falando de política externa ou história dos últimos 500 anos, parece piada, então eu lembro que (1) agora mesmo eu estava falando de delírios; (2) o comentário veio de alguém que já ganhou o prêmio Nobel da paz, e não foi na Ilha da Fantasia. Mas mesmo que eu limite o comentário à futebol, no momento só consigo lembrar do Peter Crouch puxando as madeixas de Brent Sancho no jogo contra Trinidade e Tobago.

"When a Brazilian team is in good form, it looks like a ballet coming down the field. There are two troubles with the Brazilians: One is they get so infatuated with their dancing and acrobatics that they sometimes forget to shoot goals. The other is they often don't have a good goalkeeper. My explanation is that he doesn't like staying back and not joining the fun."

Dr. Kissinger worries that globalization is "brutalizing" the Brazilians, who have lost some of their Latin panache. All but three of their 11 players have had their styles dulled by playing in the highest-paying but more-conformist European leagues, he says.

Palavras que falam tanto de quem as proferiu quanto do objeto da discussão:

He has high praise for the Argentinians. "They have many of the skills of the Brazilians, but are ruthlessly oriented toward scoring goals and doing whatever is necessary to win," he says.

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Corrente pra frente

junho 17, 2006 at 2:18 pm (matutando, torcendo)

Esta é de quatro anos atrás, mas o momento é oportuno… Corrente pra frente (via A vida em palavras).

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Funnel Design Group

junho 16, 2006 at 7:27 pm (passeando)

Funnel Design GroupGenial o portfolio virtual desta empresa de design gráfico em Oklahoma. Tem música.

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Совецкий фото альбом

junho 16, 2006 at 12:03 am (abstraindo)

Совецкий фото альбомLinda coleção de fotos p&b da União Soviética a partir dos anos 50 (Via BoingBoing).

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Cosmonada

junho 15, 2006 at 9:33 pm (matutando)

Parece que plantar feijões em órbita foi o bastante para saciar a sede por experimentos científicos do astronauta Marcos Pontes. Um trecho de Cosmonada, por Álvaro Alves de Faria:

Astronauta brasileiro é assim mesmo. Nem bem saiu do Palácio do Planalto, soube-se que a Procuradoria-geral Militar determinara a abertura de uma investigação para apurar as denúncias de que ele estava cobrando para fazer palestras, o que é proibido no Código Militar. A Procuradoria também determinou a apuração da acusação de que o astronauta tem ligações com sites que comercializam objetos que levam seu nome. Alguns dias depois, o astronauta brasileiro não descartou a possibilidade de entrar para a política, se concluir que essa será a melhor maneira de servir o Brasil.

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2K6

junho 12, 2006 at 11:01 pm (passeando, torcendo)

csr2k6@yahoo.com.brPersonalize 2K6 tem uma coleção de latas personalizadas especiais para a Copa. As latas trazem dentro várias necessidades do torcedor: entre outras coisas, bandeira do Brasil, chaveiro, apito e pulseira.

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“It should be our goal to completely ignore the World Cup”

junho 11, 2006 at 2:14 pm (sorrindo, torcendo)

Engraçadíssimo o Stephen Colbert (The Colbert Report, Comedy Central) na última quinta-feira, falando da Copa do Mundo.

E em entrevista para Jon Stewart (The Daily Show, Comedy Central), John Hodgman explica porque o nacionalismo estado-unidense não precisa do futebol como metáfora.

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Pasta Fresca

junho 11, 2006 at 1:03 pm (misturando)

A primeira vez que fiz massa de macarrão em casa, abrindo com rolo e cortando os fios com faca, eu cheguei à conclusão que a trabalheira valia a pena. É outro sabor.

Com uma máquina de macarrão motorizada tudo fica tão mais fácil… Nas primeiras duas vezes eu me bati um pouco para pegar o jeito, mas agora consigo produzir folhas de massa fina, maleáveis, de espessura e largura constantes, perfeitas para cortar como spaghetti ou para montar ravioli — o que também fica fácil usando uma forma de ravioli. Depois de incorporar os ingredientes da massa eu uso a própria máquina de macarrão para trabalhar com a massa, duas ou três passadas no rolo 0 e a massa fica super homogênea, sem bolhas de ar.

Meu recheio favorito para o ravioli é purê de butternut squash (não tenho certeza, mas no Brasil parece que se chama de abóbora pescoçuda).

Para jogar por cima do ravioli, beurre noisette, avelãs tostadas e picadas, e queijo parmesão ralado.


Massa para ravioli

3 xícaras de semolina
1 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 xícara de água morna

Bata no multiprocessador o sal, azeite de oliva e meia xícara da água, usando a lâmina de metal. Com a máquina ligada, adicione lentamente a semolina e o restante da água. Processe até que a massa esteja macia o suficiente para trabalhar, seca o bastante para não grudar nos dedos, mas sem esfarelar. Se estiver muito seca, adicione água gota por gota.

Cubra a massa com filme plástico e refrigere por meia hora.

Divida a massa em três partes. Forme um tijolo bem achatado com cada terço. Passe cada porção de massa pelo rolo 0 da máquina de macarrão algumas vezes antes de tentar abri-la mais fina.

Esta receita rende 1/2 quilo de massa, o que rende 70 ravioli de 5cmx5cm (7 porções) ou macarrão bastante para 4 comilões.

Purê de abóbora tipo butternut

1½ quilo de abóbora tipo butternut (2 ou 3 de tamanho médio)
2 colheres de manteiga
2 colheres de leite
½ xícara de queijo parmesão ralado
1 colher de folhas frescas de sálvia ou tomilho
1 colher de chá de sal

Pré-aqueça o forno em 200°C. Unte uma assadeira.

Corte cada abóbora de comprido, limpe das sementes, e ponha as metades na assadeira com os lados cortados virados para baixo. Asse por 50 à 60 minutos, até que fiquem bem macias.

Enquanto as abóboras ainda estiverem quentes, retire a polpa da casca usando uma colher grande.

Usando a lâmina de metal no multiprocessador, pulverize o queijo ralado com sálvia e sal. Junte a polpa de abóbora e manteiga, e processe bem. Junte o leite e processe até homogeneizar o purê.

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The Oxford Project

junho 8, 2006 at 6:31 pm (abstraindo, matutando)

Durante a primavera e verão de 1984 Peter Feldstein fotografou 670 dos 673 habitantes de Oxford, Iowa. 21 anos depois, Feldstein volta para fotografar aqueles que ainda moram na cidade, desta vez acompanhado pelo escritor Stephen G. Bloom (via BoingBoing).

Peter invited me to work with him. “Ask Oxford people to share their stories with you,” he said. By now I’ve conducted dozens of interviews. Some people talk about religion, others about relationships gone bad. Some break down in tears, recalling incidents they had not, or rarely, acknowledged before. There is a great deal of courage in what people say. The language of not just a few is pure poetry.

The Oxford Project O menino que sonhava ser motorista de caminhão como seu pai faz reformas residenciais, e acaba de receber a visita do primo Ashton Kutcher, avec; o veterano da segunda guerra foi um dos quatro soldados que fizeram o reconhecimento do campo de concentração em Buchenwald; a senhora de 96 anos está convicta que Deus vai lhe abrir as portas do céu.

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Amistoso da seleção brasileira contra o Japão

junho 7, 2006 at 11:36 pm (sorrindo, torcendo)

Ant World Cup Originalmente a estória foi publicada no Mainichi Daily News, que até explica como as formiguinhas aprenderam a jogar futebol:

In the wild, the ants recognize enemies by their pheromones. The organizers of the game used this natural ability to make the ants "ant-agonize" each other, by feeding the Japanese team with Kagoshima pork and the Brazilian team with spare ribs in order to alter the ants' pheromones.

Mas em Cellar foi desvendado o porquê do empate — estas formigas de bumbum amarelo não são brasileiras, e outras fotos mostram que tem mão na bola.

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Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba

junho 7, 2006 at 1:55 pm (matutando, misturando, verdejando)

Agradeço à escritora Regina Rheda minha alegria ao confirmar que o mundo está realmente evoluindo. Não bastasse a Sociedade Vegetariana Brasileira estar presente em Curitiba, o capítulo desta cidade está promovendo o Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba, de 23 à 25 de junho de 2006. A entrada é franca, o programa segue abaixo. Confirmação de presença e maiores informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

E em São Paulo, de 4 a 8 de agosto de 2006, o Primeiro Congresso Vegetariano Brasileiro e Latino-americano!

Que bom que as coisas estão mudando. Ser vegetariano no Brasil não é fácil. Nos Estados Unidos e na Europa a situação não é muito melhor, mas o vegetarianismo é mais comum. Como será no resto do mundo? No Brasil muita gente acha que é frescura, coisa de quem quer chamar a atenção. E embora haja enorme escolha de frutas e verduras deliciosas, cozinha e cultura brasileiras são baseadas em carne. No sul do país as comidas são separadas mas prevalece a idéia de que quem não come carne de vaca desmaia de anemia, no centro tudo é misturado e inclui vaca ou porco, no norte tudo tem peixe ou frutos do mar.

Quando eu era criança, adultos e crianças me olhavam com desaprovação, achavam que eu fosse uma criança mimada — muito pelo contrário, em casa eu era forçada a comer todos os tipos de carne. Não podia levantar da mesa enquanto não engolisse todas aquelas coisas que punham no meu prato e que, para o meu paladar, são repugnantes. Adorava ir na casa dos outros e poder recusar as carnes, e ficava muito satisfeita com cenouras, saladas cruas ou batatas, mas existia sempre o desconforto de estar dando trabalho. Meus pais pediam milhões de desculpas aos meus anfitriões, pelo menos na casa dos outros não me forçavam a comer carne. Agradeço a imensa paciência de quem me recebeu, atendeu às minhas restrições, e tolerou minhas perguntas sobre o que tinha dentro das comidas, pois ainda hoje sou muito desconfiada.

Desconfiada sim, pois muita gente acha que dieta vegetariana se resume a não comer carne de vaca ou pedaços sólidos. Volta e meia os não-vegetarianos pensam que comeremos lasagna com presunto, sopa feita com caldo de galinha ou pedaços de carne "para dar gosto", bolinhos com bacon, maionese de camarão, molho de tomate com carne moída, etc.

Teve também quem me pôs à vontade, brincando com a convidada que não dava despesas, "pode vir almoçar aqui em casa todo dia". Tentei levar essa idéia para casa e convencer meus pais de que eu merecia um acréscimo na mesada por ser tão econômica. Eu insistia todo domingo, ao ver a conta do restaurante e confirmar que meu almoço tinha saído de graça ou cinco vezes mais barato que o de qualquer outra pessoa da mesa, mas nunca funcionou.

Hoje encontro quem diz que não mais tolera a digestão da carne vermelha e está pensando em cortar as outras também, mas que tem medo de ficar doente numa dieta vegetariana. Para quem gosta de queijos e ovos isso não é problema, absolutamente. Para quem deseja ser vegan (excluindo qualquer produto animal, inclusive mel) o ideal é fazer a transição aos poucos e verificar a necessidade de complementar a dieta com vitamina B. O cálcio pode ser obtido do leite de soja, legumes e folhas verdes escuras.

Pesquisas científicas têm repetidamente comprovado que o vegetarianismo é extremamente saudável — para o planeta e para o indivíduo. Raros são os vegetarianos com excesso de peso, diabetes ou pressão alta. A incidência de câncer também é significativamente mais baixa, para alguns tipos de câncer quase inexistente.


Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba
Vegetarianismo: Paz Para Todos Os Seres

P R O G R A M A

Sexta-feira, 23 de junho de 2006

Local: UFTPR (antigo Cefet) – Av. Sete de Setembro 3165, Centro.

  • 19h00min: Conferência – "Vegetarianismo, Preservação Ecológica e Solução para a Fome Mundial", com a socióloga e tradutora Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira; mostra do capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca" (produção do Instituto Nina Rosa); perguntas da platéia; término do filme.
Sábado, 24 de junho de 2006

Local: TUC – Teatro Universitário de Curitiba – Galeria Júlio Moreira, sem número, Centro (passagem subterrânea entre a Praça Tiradentes e o Largo da Ordem).

  • 9h00min às 9h55min: Conferência – "Ecologia e Vegetarianismo – Se você se importa com o Planeta, seja vegetariano", com a engenheira florestal Michelle M. Althaus Ottmann, paisagista e integrante do Instituto Agroecológico; capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca".
  • 10h30min: Conferência – "O Vegetarianismo e a Sua Saúde – Longevidade e qualidade de vida com a dieta vegetariana" com Marly Winckler; capítulo de saúde do mesmo filme.

Local: SESC Centro – Rua José Loureiro 578, Centro.

  • 14h30min: Conferência – "Direitos dos Animais e Vegetarianismo: os animais têm inteligência, sentimentos e capacidade de sentir dor?"; com Danielle T. Rodrigues, advogada ambientalista e professora universitária; trechos dos filmes "Não Matarás" e "A Carne é Fraca".
  • 16h20min: Mesa Redonda – "Caminhos para a Paz: Vegetarianismo, Esperanto, Preservação Ecológica e Proteção Animal – Experiências e propostas".
Domingo, 25 de junho de 2006

Local: Brahma Kumaris – Rua Professor Macedo Filho 199, Bom Retiro.

  • 9h: Conferência – "Vegetarianismo: Bom para as Pessoas, Bom para os Animais, Bom para o Planeta", com Marly Winckler; perguntas da platéia.
  • 11h: Bate-papo com Marly Winckler sobre a Sociedade Vegetariana Brasileira e o 1? Congresso Brasileiro e Latino Americano (04 a 08 de agosto / São Paulo); filme do Congresso Vegetariano Mundial ocorrido no Brasil em 2004.

Além das conferências e da mesa redonda, haverá outras atrações, com sorteio de brindes, degustação e sessão de autógrafos.

Entrada franca.

Confirmação de presença e/ou mais informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

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NY Times: Most Bonito

junho 7, 2006 at 12:05 am (matutando, torcendo)

Por John Carlin no New York Times deste domingo, Ronaldinho é o Most Bonito:

On top of all that, he plays with a big smile on his face, even when he misses a shot. Whereas so many professionals in every sport seem to carry the world's worries on their faces as they play, Ronaldinho radiates the fun of a carefree 8-year-old boy. (…) He is courteous, too — one of those "After you," "No, after you" types — and seems to have few of the airs and graces one might expect of a regular superstar, to say nothing of the most globally celebrated sportsman alive. He does not strut so much as shuffle, and when asked to describe that goal during which he sent John Terry tumbling to the ground, he gracefully makes excuses for the Englishman. "I had the good fortune to be coming at him having built up some speed, while he was moving from a standing position," he says, "so I had a big advantage."

E falando do futebol brasileiro…

[O]ne of soccer's great truisms: the English invented the game, but the Brazilians perfected it. They found the game brick and left it marble. They patented what has become known the world over as jogo bonito, the beautiful game, a style of soccer that combines exuberance with success and that Ronaldinho, more than any other player alive, embodies. People respect winners, they admire them, but they don't always love them. The bright, canary-yellow shirt of the Brazilian national team — the canarinho shirt, they fondly call it in Brazil — elicits feelings in soccer fans everywhere that unite reverence for Brazil's unquestioned supremacy (it has won the World Cup, held every four years, five times in the last half century) with an affection, a warm sense of personal ownership, that transcends the sport's inherent tribalism. Every neutral fan following this month's World Cup will want Brazil to win, and every soccer-lover with a national stake in the competition will have Brazil as his second team. Soccer is the world's biggest religion, cutting across race, faith, geography, ideology and gender like no other global phenomenon. Brazil is the religion's favorite church.

Mas eu não deveria estar colocando excertos do Most Bonito aqui, há que se ler o artigo inteiro.

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Scientific American: Sustentabilidade em um mundo lotado

junho 6, 2006 at 7:27 pm (matutando, verdejando)

Ontem foi o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia, e recebi de um amigo o artigo do economista Herman E. Daly publicado na edição brasileira da Scientific American em outubro passado: Sustentabilidade em um mundo lotado. Daly argumenta pelo controle do crescimento econômico e sugere, entre outras coisas, taxas sobre poluentes e extração de recursos naturais ao invés de imposto sobre renda; e regulamentação do comércio para evitar que (des)economias de crescimento desestruturem economias de desenvolvimento sustentável.

Há quem considere sustentabilidade uma idéia essencialmente utópica, algo que não poderá acontecer numa sociedade capitalista. Acontece que dinheiro não substitui comida, a exaustão do meio ambiente eventualmente acarretará numa catástrofe ecológica — a destruição de qualquer economia.

[A corrente principal dos economias contemporâneos], os economistas neoclássicos, considera a sustentabilidade um modismo e se alia ao crescimento.

Mas há fatos evidentes e incontestáveis: a biosfera é finita, não cresce, é fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) e obrigada a funcionar de acordo com as leis da termodinâmica. Qualquer subsistema, como a economia, em algum momento deve necessariamente parar de crescer e adaptar-se a um equilíbrio dinâmico, algo semelhante a um estado estacionário. As taxas de nascimentos devem ser iguais às de mortalidade, e as de produção de commodities devem se igualar às de depreciação.

Durante minha vida (67 anos), a população humana triplicou, e o número de objetos fabricados cresceu muito mais. O total de energia e material necessário para manter e substituir os artefatos humanos na Terra também aumentou enormemente. À medida que o mundo torna-se repleto de humanos e de suas coisas, ele é esvaziado do que havia antes por aqui. Para lidar com esse novo padrão de escassez, os cientistas precisaram desenvolver uma economia de "mundo cheio" para substituir a tradicional, de "mundo vazio".

Depois de propor vários ajustes na política econômica, Daly fala também sobre a noção de felicidade:

Muito provavelmente, os países ricos atingiram o "limite de futilidade", ponto além do qual o crescimento não incrementa a felicidade. Isso não significa que a sociedade de consumo morreu – apenas que o aumento do consumo além do limiar de suficiência, seja ele fomentado por publicidade agressiva ou compulsão inata por compras, simplesmente não está tornando as pessoas mais felizes, em sua própria avaliação.

Este ponto é particularmente interessante, e é explorado por Andy Beckett em Going Cheap, publicado no The Guardian fevereiro passado. O artigo discute as implicações da avalanche de bens de consumo baratos na sociedade britânica:

But after you have bragged about your bargains you have to live with them. (…) "Over the last 10 years," says Hyman, "we calculate that women have doubled the average number of womenswear items they buy in a year." But over the same period, the cost of living space has been rising as fast, or even faster. (…) The solutions may not be elegant. Garden sheds, he says, are growing in popularity, as cheap spaces for general storage rather than tools. (…) Many homeowners have already gone further: in a current article on outer-London suburbia, the sociologist Paul Barker notes that most garages have been given over to "household junk". The cars are parked in people's front gardens.

Não posso deixar de comentar… Nos EUA, embora as casas sejam enormes e as garagens também, os carros já estão do lado de fora há muito tempo.

You could see all this hoarding as a sign of a growing attachment to possessions. But Coombs sees it as the opposite. "What was in the living room this year will be in the bedroom next year and in the junk room the year after," he says. Kasriel says the chance to sell to eBay has boosted much we buy. "You can tell yourself you have a sensible financial route out."

Unashamedly "disposable" cheap goods, you could argue, are turning us into traders rather than curators of our possessions. It is another victory for capitalism: we have internalised the unsentimental stock control of the modern retailer. Juliet Schor, an American economist and leading critic of the bargain boom, thinks this new form of ownership is less pleasurable than the old one. "The psychologically satisfying process of personalisation that occurs when products are acquired and retained, is truncated," she writes in a recent essay. "Attachment is briefer and there is the constant pain of divestiture [getting rid of things]." What individual possessions represent to us is, she says, "more externally driven" – by marketing and advertising – and "less under the control of the individual consumer".

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Bathsheba Grossman

junho 5, 2006 at 6:51 pm (abstraindo, passeando)

Bathsheba GrossmanQuando eu vi o trabalho de Richard Sweeney eu lembrei de umas lindas esculturas de metal com formas geométricas que já tinha visto antes, mas não consegui lembrar o nome da autora. Este final de semana Sweeney postou uma entrada sobre esta artista — Bathsheba Grossman — em seu blog, e outra sobre a inspiração que ela está lhe trazendo.

Espero que Grossman também encontre as esculturas de Sweeney… Eles partem de extremos opostos, Grossman trabalha com fórmulas matemáticas antes de moldar o material, enquanto que Sweeney experimenta com a flexibilidade do papel e suas qualidades estruturais, mas ambos chegam nestas formas orgânicas que dão vontade de por a mão e seguir com os dedos.

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Richard Sweeney

junho 2, 2006 at 11:52 pm (abstraindo, passeando)

Paper Sculpture Created by Richard SweeneyBelíssimas as esculturas em papel de Richard Sweeney. Seu trabalho pode ser visto em seu sítio, no Flickr, e no seu blog onde ele também comenta o trabalho de outros artistas.

Richard Sweeney fala de sua inspiração:

I'm highly influenced by natural form; structures in nature are very efficient, the maximum is achieved using the least material and energy possible. Growth patterns produce forms that appear very complex, yet have a basic underlying principle.

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