County Fair, por Earth Oliver

agosto 1, 2006 at 9:49 pm (matutando, passeando, sorrindo, viajando)

My name is Earth and I travel around Oregon and photograph the most interesting characters I find at county fairs and rodeos. (Via BoingBoing)

Eu mudaria o nome para “Country Fairies”, mas as fotos de Earth Oliver são realmente muito bacanas. Tem Dorothy, Rapunzel e Príncipe Valente, o Último Samurai e a Coelhinha da Páscoa (em julho). Mozart, Barbara La Marr, Audrey Hepburn, Bo Derek, Twiggy, Britney Spears, Brooke Shields, Elton John, Farrah Fawcett e Casal 20. E a garota propaganda da BomBril (meu marido discorda, diz ele que ela parece mais com a noiva do Frankenstein).

Umas assustam mais que outras, mas algumas realmente dão medo.

Brincadeiras à parte, eu gosto de observar como o estado-unidense se traja e penteia. No Brasil o povo se veste inspirado pelas novelas e é escravo das novidades, nos EUA as pessoas aderem mais aos seus ídolos culturais ou suas tribos ideológicas, independente da época.

Homens e mulheres dedicam diariamente um bocado de tempo às suas madeixas. Vejo isso nos ônibus e supermercados, penteados presos bastante elaborados, ou cabelos soltos mas controlados com muito gel e spray fixador, os homens inclusive. Pode passar uma ventania sem que um fio saia do lugar. Onde trabalho tem um senhor que, quando vem de bicicleta, traz o secador de cabelos na mochila para ajeitar o penteado antes de pegar no batente.

As elites se elaboram ao inverso. Especialmente na geração X (nascida entre meados dos anos 60 e 70, com aspirações de sair do carrossel de status, dinheiro e ascenção social), prevalece a tentativa de mostrar que não se vestiu para a ocasião, e um bocado de esforço é colocado em construir uma figura de quem acabou de sair da cama com as roupas amarrotadas e cabelos despenteados (com cortes específicos e produtos para que o cabelo permaneça assim).

Na classe média brasileira, quando muito conseguimos identificar os roqueiros, naturebas, intelectuais, esportivos, sofisticados urbanos ou patricinhas e mauricinhos. A classe média estado-unidense se veste como democrata ou republicana, adepta de um esporte específico, praticante de uma profissão, e é extremamente cuidadosa em não pisar fora dos seus limites (ao mesmo tempo que rejeita a idéia de que haja um sistema de classes nos EUA). Enquanto que no Brasil as pessoas se arrumam para ir à igreja, ao teatro ou a um casamento, as diferenças se limitando à qualidade das roupas e saúde dos cabelos, nos EUA as pessoas que freqüentam tais lugares estão vestidas como estudantes, professores, advogados, secretários ou vendedores. No outro extremo tem aqueles que se fantasiam especificamente para o evento — se é um show de tango, uma boa parte da platéia feminina estará com saias de babados e enormes flores no cabelo; se o batuque é africano a audiência virá com túnicas e adereços pretensamente tribais; num evento de gala na Flórida muitos paletós ou gravatas terão coqueiros estampados.

É um paradoxo que um povo geralmente tão tímido, que evita fazer contato visual e que se ofende ao se descobrir observado, se vista de forma tão expressiva e freqüentemente chamativa. Talvez seja o mito de esta ser uma sociedade igualitária que alimente o desejo por notoriedade. Afinal de contas, é para olhar ou não?

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NY Times: New Klimt in Town

julho 15, 2006 at 5:26 pm (abstraindo, matutando, viajando)

Ao lado está o retrato de Adele Bloch-Bauer, pintado por Gustav Klimt em 1907. Recentemente comprado por Ronald Lauder por, especula-se, 135 milhões de verdinhas, o retrato já está pendurado na Neue Galerie for German and Austrian Art, Manhattan, para que o público possa absorver sua beleza.

Ontem o New York Times trouxe New Klimt in Town: The Face That Set the Market Buzzing, por Michael Kimmelman. Vale ler o artigo do começo ao fim. Kimmelman conta a interessante estória do retrato (durante anos travou-se uma luta entre a justa herdeira do retrato e o governo Austríaco), e deliciosamente repete a frase “too expensive”. Kimmelman fala também sobre outros quadros de Klimt que estão temporariamente acompanhando Adele na Neue Galerie (inclusive Adele Bloch-Bauer II, 1912), e sobre preço e valor de arte.

For that amount, assuming it is what Mr. Lauder paid, his portrait of Adele, a hedonistic masterpiece, will be talked about in terms of how many lives might have been saved or how many lifted from poverty for this sum.

It’s inevitable. But ludicrous. The Met spent more than $45 million two years ago for a tiny Duccio “Madonna and Child” whose modesty seems its most endearing virtue. The tipping point between endearing and hedonistic is evidently somewhere around $100 million.

As for the border separating public interest from private enterprise, it has never been fixed. The Neue Galerie is Christie’s annex now, exhibiting paintings for sale ($15 general admission, no children under 12 allowed), whose display is also a public service.

Someday Adele will be seen for just what she is: beautiful, a gift to the city. And $135 million may even come to look like a bargain.

Eu assino embaixo, e publico aqui meu agradecimento a Lauder por ter pendurado este retrato numa galeria aberta à visitação pública. É o que chamo de dinheiro bem gasto.

Christopher Knight, crítico de arte do L.A. Times, escreveu sobre a obra de Klimt em abril passado:

As a pair, “Adele I” and “II” create a captivating dialogue of Klimt’s artistic trajectory at an unparalleled moment — a conversation centered on the Jewish patron critical to it. Together they begin to tell the heady story of Vienna as a profound social, intellectual and artistic engine driving modern culture before World War I.

(…) Why is the 1907 portrait so significant artistically? Think of it as a hinge — a pivot between a moribund, impossibly constricted world about to vanish forever and a new one whose contours could only be imagined.

With an exquisitely rendered image of a pretty, contemplative and artful young woman — his likely lover — the artist transformed an illustrious classical myth into a metaphor of creative ecstasy. Adele is Klimt’s Danae.

In the ancient myth, the beautiful princess Danae was locked away in a bronze tower by her father, who had been warned by an oracle that one day her son would kill him. The randy Zeus — a god who loved a challenge almost as much as sex — devised a way to get to the imprisoned virgin. He transformed himself into a shower of gold dust, seeping through cracks in the ceiling and enveloping, irradiating and impregnating her.

Painters from Titian to Edward Burne-Jones painted the Greek myth, at times casting the characters in their Roman guises. In a monumental 1603 version of the story painted by the great Dutch Mannerist Hendrik Goltzius — a masterpiece already in LACMA’s collection — the shocking theme is mercenary love. Danae, a sumptuous nude asleep on a pillow of platinum-colored satin amid a flurry of impish cherubs, is attended by a grizzled crone acting as procurer for the impatient Jupiter; leering Mercury, Roman god of commerce, looks on with glee. Greed and power are about to soil purity.

Klimt also painted the myth, in an explicitly sexual work still in a private Austrian collection. But Adele, his metaphoric Danae, is a thoroughly modern Jewish woman of taste, style, brains and means. The artist showers her in a torrent of gold, the light enveloping her body and ready to re-conceive the world.

Knight continua, comparando Adele à Les Demoiselles d’Avignon de Picasso, também de 1907, e o retrato posterior de Adele por Klimt em 1912. O artigo é fascinante.

Gostei muito de ler o que Kimmelman e Knight escreveram, especialmente porque ontem também saiu um artigo no Wall Street Journal que me deixou soltando fumaçinhas: Shopping-Mall Masters, por Kelly Crow. Crow fala sobre quadros com pores-de-sol fosforescentes, unicórnios e golfinhos saltitantes, daqueles que a gente torce o nariz ao ver num quarto de hotel ou sala de espera, que valem $10 e estão sendo vendidos por $300.000 e, no caso de um certo “pintor” que tem lojinhas em muitas cidades turísticas americanas, 4 milhões de dólares. Vá entender. Oscar Wilde disse que cínico é o homem que sabe o preço de tudo e o valor de nada. Tem gente, e muita gente, que não sabe nem o preço.

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WSJ: Bombay Rude? Hard to Digest!

junho 26, 2006 at 11:57 pm (matutando, viajando)

Hoje o Wall Street Journal trouxe Bombay Rude? Hard to Digest!, por Suketu Mehta. O autor fala de sua surpresa ao ver os resultados de uma pesquisa pelo Readers Digest sobre a gentileza em cidades de 60 países, indicando Bombaim (Mumbai) como cidade mais rude do mundo, e Nova Iorque como a mais gentil.

Londres, por Colin Gregory PalmerDe acordo com a pesquisa, Bombaim é rude porque falhou nas três medidas de polidez adotadas pelo Readers Digest: as pessoas não dizem obrigado, não seguram portas para os outros, e não ajudam estranhos a catar papéis caídos. Só esqueceram de dizer que indianos costumam agradecer sem palavras usando um movimento da cabeça, que os prédios onde a pesquisa foi feita têm porteiros, e que já tem tanto lixo nas ruas de Bombaim que ao ver-se uma pessoa deixando algo cair, imagina-se que foi atitude intencional. (Ao lado vai uma foto em Londres, por Colin Gregory Palmer.)

Suketu Mehta conhece bem as duas cidades, é autor de Maximum City: Bombay Lost and Found, e já escreveu para o New York Times falando da renascença do Brooklyn. Agora ele sugere uma nova pesquisa usando as suas medidas de cortesia cívica: se os usuários de transporte público abrem lugar para mais uma pessoa se sentar, se adultos sorriem para filhos de estranhos mesmo que a criança seja barulhenta, e se pessoas comendo numa cabine de trem compartilham sua comida com estranhos.

Finalmente, Mehta reproduz um parágrafo de um artigo escrito por ele mesmo e publicado na Readers Digest em 1997:

“If you are late for work in Mumbai and reach the station just as the train is leaving the platform, don’t despair. You can run up to the packed compartments and find many hands unfolding like petals to pull you on board. And while you will probably have to hang on to the door frame with your fingertips, you are still grateful for the empathy of your fellow passengers, already packed tighter than cattle, their shirts drenched with sweat in the badly ventilated compartment. They know that your boss might yell at you or cut your pay if you miss this train. And at the moment of contact, they do not know if the hand reaching for theirs belongs to a Hindu or a Muslim or a Christian or a Brahmin or an Untouchable. Come on board, they say. We’ll adjust.”

Isto é o que o autor chama de abrir portas para os outros. Eu concordo. Nesta cidade da Flórida onde moro é comum duas pessoas ocuparem um banco de quatro lugares com suas mochilas ou pés, para evitar que alguém se sente ao lado, e ignorando pessoas idosas ou gestantes que estejam por perto. Dentro do ônibus, os estudantes de pé mantém enorme distância uns dos outros, muito embora muitos outros estudantes queiram entrar e o motorista peça para quem já está no ônibus fazer espaço. Quem está de fora continua por lá, esperando por 30 minutos pelo próximo ônibus, e perdendo a hora da aula.

O individualismo é extremo. Difícil de entender que estudantes não se solidarizem com outros estudantes. Qualquer contato visual é evitado, e as únicas conversas ouvidas são carregadas através de telefones celulares. Ah, quanta oportunidade de paquera é perdida…

Ano passado ocorreu um episódio interessante. Passei uns dias num dormitório de estudantes em Nantucket, visitando meu marido que fazia um curso por lá. Trouxe chocolate brasileiro para dividir com os cinco companheiros de dormitório, e meu marido e eu compramos ingredientes e preparamos um jantar para todos nós. Estávamos sem sobremesa, pois o chocolate já tinha sido comido antes do jantar. Um dos rapazes que mais tinha se servido do chocolate brasileiro se levantou da mesa, pegou um pacote cheio de chocolates no seu quarto, serviu-se de dois pedaços na nossa frente, e voltou para mastigá-los na nossa companhia. Eu quase entro em estado de choque cada vez que lembro do ocorrido.

Mas também atesto para a realidade de que aqui se diz obrigado exaustivamente, as pessoas costumam segurar a porta para quem vem atrás e, tirando os dias de jogos e desfiles, dificilmente se vê um papel caído na rua.

Em minha primeira visita à Buffalo, cidade no estado de Nova Iorque na fronteira com o Canadá, estacionamos junto ao correio para olhar o mapa e conferir que estávamos na direção certa. Uma senhora bateu no vidro do carro, pensamos que fôssemos levar uma bronca por ter estacionado em lugar proibido. Não, ela tinha nos visto com o mapa e estava perguntando se estávamos perdidos ou precisávamos de ajuda. Em visitas subseqüentes àquela cidade, confirmei a extrema gentileza e civilidade de seus residentes.

Quanto à cidade de Nova Iorque, não conheço melhor exemplo de sua civilidade do que quando houve o atentado terrorista no World Trade Center, e as pessoas foram descendo as escadas sem se atropelarem umas às outras, mesmo sabendo que talvez não houvesse tempo para todos chegarem lá embaixo antes do prédio ruir. Numa situação dessas não haver empurra-empurra fala muito a respeito de um povo.

Estes dias eu estava esperando pelo ônibus e, embora houvesse dois outros bancos vazios, um rapaz de aspecto sul-asiático sentou-se ao meu lado. Abriu um vasilhame e, antes de começar a comer, me ofereceu para partilhar de sua refeição. Recusei mas agradeci, dando-lhe um sorriso direto nos olhos, e fiquei pensando em como seria bom ter o melhor dos dois mundos.

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My kind of town

março 22, 2006 at 8:58 pm (abstraindo, misturando, viajando)

Acabo de voltar da minha terceira visita à Chicago. Desde maio do ano passado eu estava convencida San Francisco ser minha cidade favorita nos EUA, mas fui reconquistada por Chicago. Desta vez nem estive em Oak Park ou Hyde Park, passei todo o tempo dentro do Central Loop, exceto por um passeio na North Michigan Avenue e breve perambulada por River North.

Fiquei hospedada entre o Rookery (Burnham and Root, 1888), o elegantérrimo Art Deco LaSalle (Graham, Anderson, Probst & White, 1934), Federal Center (Ludwig Mies van der Rohe, 1959-1974) e Bank of America (Graham, Anderson, Probst & White, 1924). Abaixo, fotos do Rookery. O lobby e pátio foram reformados por Frank Lloyd Wright em 1907.

The Rookery The Rookery The Rookery

Chase (First National Plaza)Chicago tem prédios maravilhosos, aos montes. Um dos meus preferidos é o Chase Tower (Perkins & Will, 1969), foto ao lado. As laterais côncavas dão um ar de leveza a este prédio de 60 andares, a perspectiva é bonita mesmo ao nível dos pedestres. A plaza em terraços é também muito interessante e convidativa.

Em River North, meu favorito é o John Hancock Center (Skidmore, Owings & Merrill, 1970). As braçadeiras na diagonal reduzem quase que pela metade a necessidade de aço na estrutura, e assim os 100 andares de uso comercial e residencial têm grande liberdade para arranjar o espaço interno.

Voltando ao Central Loop e ao século XIX, o simples e massivo Monadnock Building (Burnham & Root, 1891) é lindo por fora e por dentro (fotos abaixo). Todo em alvenaria, na base as paredes têm 1.80m de espessura para suportar seus 16 andares. Nesta época usava-se pátios internos para acomodar a necessidade de luz natural em grandes edifícios (como no Rookery), mas o terreno do Monadnock era muito estreito para permiti-lo. A solução encontrada foi transformar as escadas em poços de luz.

The Monadnock The Monadnock The Monadnock

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Vivere RestaurantMas talvez a melhor parte de Chicago seja a possibilidade de comer bem fora de casa (coisa que não é muito fácil neste país). O Central Loop nem é o ponto alto da cidade, mas eu aproveitei bem. Todos os dias, antes do café da manhã, eu me dirigia para a Kramer’s Health Food Shoppe (209 S. Wabash Avenue) onde tomava um suco centrifugado de cenoura, beterraba, espinafre, salsinha e gengibre. Nos arredores haviam várias padarias e cafés, eu podia *escolher* onde comer. Na terça jantei no Vivere, um dos três restaurantes da famiglia Capitanini no Italian Village. A decoração é uma espécie de rococó pós-moderno (projeto de Jordan Mozer), com espirais barrocas e outras maluquices (foto ao lado). A comida estava bem gostosa, e o serviço decente.

Na sexta fui ao Ristorante We, uma casa de carnes toscana dentro do Hotel W. A salada de rúcula, finnochio, laranja, queijo de cabra e avelãs tostadas estava muito boa, embora a quantidade de avelãs deixasse a desejar. Estava nos planos experimentar as batatinhas fingerling da casa, mas o pão de alho com molho de gorgonzola estava tão maravilhoso que não consegui pensar em comer mais nada.

Trattoria No. 10Mas o ponto alto foi quarta-feira: Trattoria No. 10, também um restaurante de cozinha toscana. O Trattoria é um restaurante mais discreto, muito elegante e confortável. Eu poderia ter passado a noite tomando vinho e comendo os crackers feitos na casa, mas escolhi uma salada de folhas verdes com nozes carameladas, queijo de cabra e vinagrete de passas e sherry; e ravioli de abóbora dos tipos butternut e acorn, com molho de manteiga, nozes, manjericão, e vegetais crus à julienne. Ainda estou suspirando. Pannacota de sobremesa.

O café da manhã de sábado (waffle com manteiga de açúcar mascavo, morangos frescos e chantilly) foi no Atwood Cafe, dentro do Burnham Hotel (originalmente Reliance Building, por Daniel Burnham, John Root and Charles Atwood, 1894), fotos abaixo. Este prédio, um dos mais bonitos da Chicago antiga, é um importante precursor dos arranha-céus. 14 pavimentos, estrutura de ferro e aço, fachada coberta com painéis de terracota e uma grande quantidade de vidro para a época. O restauro do Reliance levou tempo e foi bastante cuidadoso. Os painéis de terracota foram limpos, consertados e polidos. As escadas em ferro e as portas dos antigos escritórios, em mogno e vidro florentino, foram restauradas. Infelizmente a equipe responsável pela decoração do hotel careceu de alguns neurônios. No caminho do restaurante para os banheiros foi colocado um carpet escuro passando por alguns degraus, sem nenhuma demarcação da mudança de nível. Meu encontro com estes degraus foi bastante doloroso, depois do café da manhã fui direto para o hospital cuidar de uma torção no pé.

The Reliance The Reliance The Reliance

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Além de comida e arquitetura de primeira classe, a cidade também oferece o Art Institute of Chicago. O acervo é maravilhoso, famoso pela coleção de impressionistas e de arte americana (por exemplo, Nighthawks de Edward Hopper e American Gothic de Grant Wood). Eu gosto particularmente da coleção de mobília do século XX, Thorne Miniature Rooms e esculturas caricaturescas de Honoré Daumier.Portrait du citoyen Belley (Girodet, 1797) Tive a sorte de pegar a exposição Girodet: Romantic Rebel. Anne-Louis Girodet de Roucy-Trioson (1767-1824) foi um pintor francês, discípulo de Jacques-Louis David. Seu trabalho marcou a transição da austeridade neo-clássica para o lirismo fantasioso do romanticismo.

Ao lado está o Portrait du citoyen Belley (1797). Belley era do Senegal, um ex-escravo no Caribe que trabalhou para abolir a escravidão nas colônias francesas. Belley veste o uniforme de um deputado da convenção, e seu rosto está no meio-perfil que se usava para retratos de nobres e reis – um ângulo que traz dignidade ao retrato, mas também realça as formas de seu crânio. Belley se apóia no pedestal do busto do abolicionista Guillaume-Thomas Raynal, a cor do mármore e a testa reta evidenciando o que na época se acreditava como marca de inteligência superior. Neste retrato Girodet celebrava o estabelecimento dos direitos humanos pela então recém formada república francesa, ao mesmo tempo que evocava as novas estruturas sociais baseadas em racismo.

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Chicago é viva, cheia de jazz, com gente andando nas ruas, sorrisos e olhares, bons-dias entre aqueles que esperam o sinaleiro abrir. A cidade tem muitos problemas, mas está sempre encarando seus demônios e correndo atrás de soluções. De cultura avançada e progressista, Chicago é o berço americano da arquitetura, dos serviços sociais e direitos trabalhistas, dos estudos sociológicos sobre racismo, segregação, pobreza, imigrantes e família.

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Nantucket é linda!!!

julho 15, 2005 at 2:35 pm (viajando)

62OrangeStreet_outside.jpg Acabo de voltar de uma curta visita, apenas 5 dias, mas fiquei babando com o que vi. As casas são simples, pequenas e lindas, muitas delas cobertas de flores. Por três noites ficamos hospedados numa casa antiga em Orange Street, um luxo – cortesia de uma das professoras do programa. Tinha até uma batedeira da kitchen aid à nossa disposição na cozinha.

NantucketHouse03.jpgFoi bem divertido passar alguns dias brincando de estudante de arquitetura com Professor Prugh e seus pupilos do PI:N. Não que eu tenha realmente ajudado em alguma coisa, o estúdio tem um piano de cauda, e foi difícil dar atenção a qualquer outra coisa quando eu não estava passeando pela cidade.

Nantucket é cheia de bons restaurantes. Sábado jantamos no Vincent’s Restaurant, onde comi um ravioli de butternut squash com beurre noisette e sálvia, e excelente parmigiano. Estou passando vontade só de lembrar.

Sconset06.jpgDomingo fizemos uma excursão de bibicleta até Sconset (uns 12 kilômetros do centro de Nantucket). Originalmente uma vila de pescadores, Sconset tem ainda casas dos séculos XVII e XVIII que foram ampliadas e readaptadas ao longo do tempo, mas que preservam as qualidades de estilo e escala. A atmosfera é de paz e tranqüilidade.

Segunda de manhã assistimos à uma palestra com o arquiteto que toma conta da Glass House do Phillip Johnson, mas melhor ainda foi ouvir o Peter Prugh contando anedotas de quando ainda era estudante e suas excursões a várias casas do Frank Lloyd Wright.

A única coisa que posso reclamar de Nantucket é o preço das frutas e legumes. Por ser uma ilha, tudo tem que ser trazido de barco, e produtos perecíveis ficam extremamente caros. Estamos na estação das cerejas e venho pagando $2.30 a libra. Lá estava por $9!!!

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Brincos-de-princesa

maio 9, 2005 at 6:59 pm (nadando, viajando)

Fúchsias, ou brincos-de-princesa. Foi o que encontramos no meio do caminho entre Santa Barbara e San Francisco.

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