Hamburger de trás prá frente

novembro 14, 2006 at 7:13 pm (matutando, misturando, sorrindo, verdejando)

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Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba

junho 7, 2006 at 1:55 pm (matutando, misturando, verdejando)

Agradeço à escritora Regina Rheda minha alegria ao confirmar que o mundo está realmente evoluindo. Não bastasse a Sociedade Vegetariana Brasileira estar presente em Curitiba, o capítulo desta cidade está promovendo o Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba, de 23 à 25 de junho de 2006. A entrada é franca, o programa segue abaixo. Confirmação de presença e maiores informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

E em São Paulo, de 4 a 8 de agosto de 2006, o Primeiro Congresso Vegetariano Brasileiro e Latino-americano!

Que bom que as coisas estão mudando. Ser vegetariano no Brasil não é fácil. Nos Estados Unidos e na Europa a situação não é muito melhor, mas o vegetarianismo é mais comum. Como será no resto do mundo? No Brasil muita gente acha que é frescura, coisa de quem quer chamar a atenção. E embora haja enorme escolha de frutas e verduras deliciosas, cozinha e cultura brasileiras são baseadas em carne. No sul do país as comidas são separadas mas prevalece a idéia de que quem não come carne de vaca desmaia de anemia, no centro tudo é misturado e inclui vaca ou porco, no norte tudo tem peixe ou frutos do mar.

Quando eu era criança, adultos e crianças me olhavam com desaprovação, achavam que eu fosse uma criança mimada — muito pelo contrário, em casa eu era forçada a comer todos os tipos de carne. Não podia levantar da mesa enquanto não engolisse todas aquelas coisas que punham no meu prato e que, para o meu paladar, são repugnantes. Adorava ir na casa dos outros e poder recusar as carnes, e ficava muito satisfeita com cenouras, saladas cruas ou batatas, mas existia sempre o desconforto de estar dando trabalho. Meus pais pediam milhões de desculpas aos meus anfitriões, pelo menos na casa dos outros não me forçavam a comer carne. Agradeço a imensa paciência de quem me recebeu, atendeu às minhas restrições, e tolerou minhas perguntas sobre o que tinha dentro das comidas, pois ainda hoje sou muito desconfiada.

Desconfiada sim, pois muita gente acha que dieta vegetariana se resume a não comer carne de vaca ou pedaços sólidos. Volta e meia os não-vegetarianos pensam que comeremos lasagna com presunto, sopa feita com caldo de galinha ou pedaços de carne "para dar gosto", bolinhos com bacon, maionese de camarão, molho de tomate com carne moída, etc.

Teve também quem me pôs à vontade, brincando com a convidada que não dava despesas, "pode vir almoçar aqui em casa todo dia". Tentei levar essa idéia para casa e convencer meus pais de que eu merecia um acréscimo na mesada por ser tão econômica. Eu insistia todo domingo, ao ver a conta do restaurante e confirmar que meu almoço tinha saído de graça ou cinco vezes mais barato que o de qualquer outra pessoa da mesa, mas nunca funcionou.

Hoje encontro quem diz que não mais tolera a digestão da carne vermelha e está pensando em cortar as outras também, mas que tem medo de ficar doente numa dieta vegetariana. Para quem gosta de queijos e ovos isso não é problema, absolutamente. Para quem deseja ser vegan (excluindo qualquer produto animal, inclusive mel) o ideal é fazer a transição aos poucos e verificar a necessidade de complementar a dieta com vitamina B. O cálcio pode ser obtido do leite de soja, legumes e folhas verdes escuras.

Pesquisas científicas têm repetidamente comprovado que o vegetarianismo é extremamente saudável — para o planeta e para o indivíduo. Raros são os vegetarianos com excesso de peso, diabetes ou pressão alta. A incidência de câncer também é significativamente mais baixa, para alguns tipos de câncer quase inexistente.


Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba
Vegetarianismo: Paz Para Todos Os Seres

P R O G R A M A

Sexta-feira, 23 de junho de 2006

Local: UFTPR (antigo Cefet) – Av. Sete de Setembro 3165, Centro.

  • 19h00min: Conferência – "Vegetarianismo, Preservação Ecológica e Solução para a Fome Mundial", com a socióloga e tradutora Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira; mostra do capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca" (produção do Instituto Nina Rosa); perguntas da platéia; término do filme.
Sábado, 24 de junho de 2006

Local: TUC – Teatro Universitário de Curitiba – Galeria Júlio Moreira, sem número, Centro (passagem subterrânea entre a Praça Tiradentes e o Largo da Ordem).

  • 9h00min às 9h55min: Conferência – "Ecologia e Vegetarianismo – Se você se importa com o Planeta, seja vegetariano", com a engenheira florestal Michelle M. Althaus Ottmann, paisagista e integrante do Instituto Agroecológico; capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca".
  • 10h30min: Conferência – "O Vegetarianismo e a Sua Saúde – Longevidade e qualidade de vida com a dieta vegetariana" com Marly Winckler; capítulo de saúde do mesmo filme.

Local: SESC Centro – Rua José Loureiro 578, Centro.

  • 14h30min: Conferência – "Direitos dos Animais e Vegetarianismo: os animais têm inteligência, sentimentos e capacidade de sentir dor?"; com Danielle T. Rodrigues, advogada ambientalista e professora universitária; trechos dos filmes "Não Matarás" e "A Carne é Fraca".
  • 16h20min: Mesa Redonda – "Caminhos para a Paz: Vegetarianismo, Esperanto, Preservação Ecológica e Proteção Animal – Experiências e propostas".
Domingo, 25 de junho de 2006

Local: Brahma Kumaris – Rua Professor Macedo Filho 199, Bom Retiro.

  • 9h: Conferência – "Vegetarianismo: Bom para as Pessoas, Bom para os Animais, Bom para o Planeta", com Marly Winckler; perguntas da platéia.
  • 11h: Bate-papo com Marly Winckler sobre a Sociedade Vegetariana Brasileira e o 1? Congresso Brasileiro e Latino Americano (04 a 08 de agosto / São Paulo); filme do Congresso Vegetariano Mundial ocorrido no Brasil em 2004.

Além das conferências e da mesa redonda, haverá outras atrações, com sorteio de brindes, degustação e sessão de autógrafos.

Entrada franca.

Confirmação de presença e/ou mais informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

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Scientific American: Sustentabilidade em um mundo lotado

junho 6, 2006 at 7:27 pm (matutando, verdejando)

Ontem foi o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia, e recebi de um amigo o artigo do economista Herman E. Daly publicado na edição brasileira da Scientific American em outubro passado: Sustentabilidade em um mundo lotado. Daly argumenta pelo controle do crescimento econômico e sugere, entre outras coisas, taxas sobre poluentes e extração de recursos naturais ao invés de imposto sobre renda; e regulamentação do comércio para evitar que (des)economias de crescimento desestruturem economias de desenvolvimento sustentável.

Há quem considere sustentabilidade uma idéia essencialmente utópica, algo que não poderá acontecer numa sociedade capitalista. Acontece que dinheiro não substitui comida, a exaustão do meio ambiente eventualmente acarretará numa catástrofe ecológica — a destruição de qualquer economia.

[A corrente principal dos economias contemporâneos], os economistas neoclássicos, considera a sustentabilidade um modismo e se alia ao crescimento.

Mas há fatos evidentes e incontestáveis: a biosfera é finita, não cresce, é fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) e obrigada a funcionar de acordo com as leis da termodinâmica. Qualquer subsistema, como a economia, em algum momento deve necessariamente parar de crescer e adaptar-se a um equilíbrio dinâmico, algo semelhante a um estado estacionário. As taxas de nascimentos devem ser iguais às de mortalidade, e as de produção de commodities devem se igualar às de depreciação.

Durante minha vida (67 anos), a população humana triplicou, e o número de objetos fabricados cresceu muito mais. O total de energia e material necessário para manter e substituir os artefatos humanos na Terra também aumentou enormemente. À medida que o mundo torna-se repleto de humanos e de suas coisas, ele é esvaziado do que havia antes por aqui. Para lidar com esse novo padrão de escassez, os cientistas precisaram desenvolver uma economia de "mundo cheio" para substituir a tradicional, de "mundo vazio".

Depois de propor vários ajustes na política econômica, Daly fala também sobre a noção de felicidade:

Muito provavelmente, os países ricos atingiram o "limite de futilidade", ponto além do qual o crescimento não incrementa a felicidade. Isso não significa que a sociedade de consumo morreu – apenas que o aumento do consumo além do limiar de suficiência, seja ele fomentado por publicidade agressiva ou compulsão inata por compras, simplesmente não está tornando as pessoas mais felizes, em sua própria avaliação.

Este ponto é particularmente interessante, e é explorado por Andy Beckett em Going Cheap, publicado no The Guardian fevereiro passado. O artigo discute as implicações da avalanche de bens de consumo baratos na sociedade britânica:

But after you have bragged about your bargains you have to live with them. (…) "Over the last 10 years," says Hyman, "we calculate that women have doubled the average number of womenswear items they buy in a year." But over the same period, the cost of living space has been rising as fast, or even faster. (…) The solutions may not be elegant. Garden sheds, he says, are growing in popularity, as cheap spaces for general storage rather than tools. (…) Many homeowners have already gone further: in a current article on outer-London suburbia, the sociologist Paul Barker notes that most garages have been given over to "household junk". The cars are parked in people's front gardens.

Não posso deixar de comentar… Nos EUA, embora as casas sejam enormes e as garagens também, os carros já estão do lado de fora há muito tempo.

You could see all this hoarding as a sign of a growing attachment to possessions. But Coombs sees it as the opposite. "What was in the living room this year will be in the bedroom next year and in the junk room the year after," he says. Kasriel says the chance to sell to eBay has boosted much we buy. "You can tell yourself you have a sensible financial route out."

Unashamedly "disposable" cheap goods, you could argue, are turning us into traders rather than curators of our possessions. It is another victory for capitalism: we have internalised the unsentimental stock control of the modern retailer. Juliet Schor, an American economist and leading critic of the bargain boom, thinks this new form of ownership is less pleasurable than the old one. "The psychologically satisfying process of personalisation that occurs when products are acquired and retained, is truncated," she writes in a recent essay. "Attachment is briefer and there is the constant pain of divestiture [getting rid of things]." What individual possessions represent to us is, she says, "more externally driven" – by marketing and advertising – and "less under the control of the individual consumer".

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The Meatrix II: Revolting

março 31, 2006 at 1:21 pm (matutando, misturando, passeando, sorrindo, verdejando)

RevoltingFinalmente ficamos sabendo o que aconteceu com Leo, o porco que fora salvo da Meatrix pelo bovino Moopheus em The Meatrix, o original. Ontem foi lançado The Meatrix II: Revolting – o revoltante se refere ao uso de antibióticos e hormônios sintéticos, poluição, mutilações e outras práticas cruéis usadas nas indústria de carnes e derivados de animais.

Embora eu seja vegetariana, não me incomodo que outras pessoas comam carne. É uma opção nada saudável e bastante mal-cheirosa, além de pouco eficiente, mas a cultura é muito enraizada, e certamente que o consumo de animais teve seu papel na evolução da espécie humana. Enquanto os animais tenham uma vida e haja máximo aproveitamento de seu abate, eu aceito a prática.

O que me incomoda profundamente é a forma como galinhas, vacas, porcos e até peixes são roubados de uma existência natural nas indústrias modernas. Do nascimento ao abate os animais são confinados em espaços minúsculos e imundos, são forçados a uma dieta inadequada ao seu sistema digestivo, o que lhes causa maior sofrimento físico, e as técnicas de abate são particulamente cruéis. É triste ver que as pessoas que se dizem indignadas com o extermínio de humanos em tantos episódios do século XX não se revoltam com o suplício físico e emocional destes animais. Qual a diferença entre o massacre de animais e o de humanos?

..

Store Wars1Outra grande produção do Free Range Studios é Store Wars, em que Cuke Skywalker faz de tudo para resgatar Princess Lettuce das forças do mal, com a ajuda de Obi Wan Cannoli, Ham Solo, Tofu D2 e Chewbroccoli. Princess Lettuce não aparece na imagem ao lado, mas ela é, literalmente, uma cabeça de alface com duas rosquinhas espetadas.

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TreeHugger & casas pré-fabricadas

fevereiro 28, 2006 at 2:25 pm (matutando, passeando, verdejando)

Sunset BreezeHouse por Michelle KaufmannMuito bacana esta web magazine sobre várias novidades relacionadas à estética e responsibilidade ambiental: TreeHugger. Viajei nas sessões de arquitetura, casas pré-fabricadas, cool but ugly e cozinhas.

E por falar em casas pré-fabricadas projetadas por arquitetos, até 18 de março o New London Architecture está com a exposição PREFABULOUS LONDON. O catálogo (PDF, 1.82MB) vale por uma visita virtual.

Outro sítio é o FabPreFab, que cataloga casas pré-fabricadas modernistas. Acima está uma foto da Sunset BreezeHouse de Michelle Kaufmann.

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