Strambinha, o Retorno; a.k.a. Nutella Linzer Cookies

maio 15, 2008 at 6:15 pm (misturando)

Tanto tempo calada, o stramblog está às moscas. Mas como hoje eu tive grandes novidades, vou romper o silêncio.

Antes de dar a boa notícia, vai uma explicação. Alguns amigos têm reclamado da falta de publicações, as pessoas assumem que é por falta de assunto, e volta e meia alguém manda por e-mail alguma coisa interessante para eu postar no blog. O problema é exatamente o oposto: excesso de coisa interessante para divulgar, e para defender meus extenuados neurônios eu tenho tentado manter um pouco de distância do computador.

Mas não muita. :-) Graças à postagem de um outro blogante fiquei sabendo da Martha’s Favorite Cookie Contest. Na mesma hora me animei e submeti as fotos de dois biscoitos que fiz nestes últimos tempos, Gingerbread Countenances (caretas de pão-de-mel) e Nutella Linzer Cookies (biscoitos de avelã recheados com Nutella). E surpresa, um deles foi escolhido como um dos 10 great prize winners. Como eu não assisto ao show na TV, fiquei sabendo somente hoje de manhã quando fui conferir se haviam novidades no site da Martha Stewart. Dá para assistir ao clip do show que apareceu na TV em 13 de maio pela internet (talvez seja preciso selecionar o segmento da Cookie Contest), a Martha começa a falar dos ganhadores aos 3 minutos do segmento, e a partir dos 4 minutos ela comenta sobre os meus biscoitos.

Cookie Contest WinnersTem também um slide show mostrando as menções honrosas e os grandes ganhadores. E para confirmar minha mania com o número 7, batata, meu biscoito é o sétimo da lista dos ganhadores.

O prêmio é o livro Martha Stewart Cookies, autografado pela autora. Estou bem feliz com a novidade, e claro, animada com a chegada do prêmio. Meu marido está mais animado ainda, ah ah ah. Na Páscoa experimentei uma receita do site da Martha Stewart que foi um sucesso com crianças e adultos (minha versão pode ser vista aqui).

Só fiquei um pouco chateada porque dois biscoitos que eu achei particularmente bonitos e diferentes não ganharam. Um deles, o impressionante Lotus Blossom Cookies, recebeu uma menção honrosa. Mas o lindíssimo May Flower Cookie, que na minha opinião merecia o primeiro lugar, nem foi selecionado.

Bem, ficam os agradecimentos ao ScottE por ter divulgado a competição (e os parabéns, ele também é um dos 10 ganhadores); à minha sogra, que no Natal de 2006 me pediu para fazer biscoitos e assim deu início a esta minha última mania culinária; aos amigos que apreciam minhas aventuras gastronômicas e me encorajam com seus muitos elogios; e finalmente ao meu marido (ele mesmo, criador dos Gingerbread Zombies, aqui e aqui) por inspirar, incentivar e devorar meus experimentos.

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Pão de Gergelim e Queijo Cheddar

janeiro 15, 2007 at 9:15 pm (misturando)

img_0705_peq.jpg Não há nada como um pão fresquinho, feito em casa. A receita abaixo foi traduzida de Bread For All Seasons, por Beth Hensperger. Este é um pão da primavera… deve ser pelas sementes de gergelim, associadas com a quaresma, e abundância de ovos com o final desta. O pão é salgadinho, o sabor do queijo bem forte, fica ótimo com manteiga. No dia seguinte, tostado, fica melhor ainda. A autora recomenda comer o pão com fatias de maçã ácida, deve ficar uma delícia, mas desta vez não deu tempo de experimentar. Da próxima vez vou fazer a receita dupla, com 6 xícaras de farinha, conforme no livro. Abaixo vai a receita para uma broa somente.

O livro é ótimo, já experimentei várias outras receitas e todas ficaram gostosas. Também de Beth Hensperger é Bread Made Easy: A Baker’s First Bread Book, onde são ensinados em detalhe e muitas fotografias os processos básicos para fazer pão branco, integral, doce, pão de ovos e pão rústico. Este livro foi minha escola de fazer pão quando comecei a me aventurar além da máquina. Depois aprofundei meus conhecimentos com o excelente The Bread Baker’s Apprentice, por Peter Reinhart.

Naturalmente a receita abaixo pode ser preparada em máquina de pão. Eu gosto de fazer o primeiro crescimento na máquina, e prosseguir com a receita acrescentando a segunda porção de queijo, moldando o pão numa forma para o segundo crescimento, e finalmente assando no forno.

Pão de Gergelim e Queijo Cheddar

img_0700_peq2.jpg3 colheres de sopa de sementes de gergelim levemente tostadas
1½ colher de chá de fermento biológico seco
Pitada de açúcar
1 xícara de água morna (40° à 46° C)
1 colher de óleo vegetal
1 colher de chá de sal
1 ovo
2¾ à 3 xícaras de farinha de trigo
180g de queijo Cheddar ralado grosso (ou outro queijo firme e salgado como Fontina ou Gruyère)

Em uma pequena vasilha combine o fermento e açúcar com ¼ xícara da água morna. Deixe descansar uns 10 minutos, até formar espuma.

Combine o restante da água, óleo, sal, ovo, sementes de gergelim, 1 xícara da farinha e a mistura de fermento. Misture até homogeneizar. Adicione metade do queijo ralado e o restante da farinha, até formar uma massa áspera e um pouco grudenta. Vire a massa numa superfície levemente enfarinhada e amasse até alisar, adicionando um pouco de farinha se necessário, mas não deixe a massa ficar muito firme. Coloque a massa numa bacia untada de óleo, vire uma vez, e cubra com filme plástico. Deixe crescer em temperatura ambiente até dobrar de tamanho, cerca de 1½ hora.

Vire a massa na superfície levemente enfarinhada e abra com as mãos num retângulo de 15 x 20 cm. Espalhe o restante do queijo ralado e dobre a massa ao redor do queijo, amassando levemente para distribuí-lo. Coloque a massa numa forma de pão de 22 x 10 cm, untada com óleo, cubra com filme plástico e deixe crescer em temperatura ambiente até dobrar de tamanho, cerca de 45 minutos.

20 minutos antes de assar o pão, pré-aqueça o forno em 190°C (375°F) . Faça talhos profundos na superfície do pão. Asse no centro do forno até dourar a superfície, cerca de 40 minutos. Retire o pão da forma e coloque numa grade para esfriar antes de fatiar.

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Hamburger de trás prá frente

novembro 14, 2006 at 7:13 pm (matutando, misturando, sorrindo, verdejando)

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Zuccotto di Noci e Lamponi

julho 9, 2006 at 10:06 pm (misturando, torcendo)

Eu poderia chamar este zuccotto de charlotte, mas hoje especialmente estou muito feliz em usar a nomenclatura italiana…

Seja qual for o nome, fazer este tipo de sobremesa com uma forma adequada ficou muito mais fácil. Já que eu planejava cobrir o zuccotto, assei o bolo diretamente na forma semi-esférica, e o encaixe do conjunto de formas fez com que a casca saísse perfeitinha, pronta para ser recheada com a bavarois de framboesas.

Para a casca do zuccotto fiz um pão-de-ló de nozes. Recheei o zuccotto com uma bavarois de framboesa, cobri com Suspiro Italiano (receita no Bolo 4 de Julho), decorei com morangos e farpas de chocolate amargo.

Pão-de-Ló de Nozes

3 ovos
2 xícaras de açúcar
1 xícara de óleo
1 colher de amaretto
2 xícaras de farinha
1 colher de chá de fermento em pó
1 xícara de leite
1 xícara de nozes finamente moídas

Pré-aqueça o forno em 175°C (350°F). Unte e enfarinhe uma forma semi-esférica e a forma para a base. Outra opção é aumentar em 1/3 a receita de pão-de-ló e usar uma forma quadrada de 30cm de lado, e uma forma redonda de 20cm de diâmetro, montando o zuccotto como explicado aqui.

Bata os ovos em velocidade média-alta. Lentamente adicione o açúcar e bata até ficar um creme grosso e esbranquiçado. Adicione o óleo e o licor, bata bem. Adicione o fermento e a farinha, alternando com o leite. Junte as nozes moídas e bata até incorporar bem.

Derrame a massa nas formas preparadas. Asse a base por uns 25 à 30 minutos, a forma semi-esférica por 60 à 70 minutos.

Purê de Framboesas

700g de framboesas congeladas
1 colher de chá de suco de limão

Coloque as framboesas num escorredor de macarrão suspenso sobre uma vasilha. Descongele as framboesas completamente (vai demorar várias horas). Ocasionalmente esprema as framboesas contra o escorredor, para ajudar a soltar o líquido.

Quando as framboesas tiverem perdido cerca de 1 xícara de suco, leve as framboesas e suco de limão ao multiprocessador equipado com lâmina de metal, e bata até virar um purê.

Bavarois de Framboesas

2 1/2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
1 xícara de purê de framboesas
2/3 xícara de açúcar
2 xícaras de creme de leite fresco

Coloque 1/4 de xícara do purê de framboesas e a gelatina em pó numa vasilhinha de vidro, e deixe descansar por 5 minutos. Leve ao microondas por alguns segundos e misture bem para dissolver a gelatina. Misture esta porção e o açúcar ao restante do purê de framboesas.

Bata o creme de leite até que faça picos suaves. Adicione o purê de framboesas já com gelatina e açúcar, e bata até formar picos firmes.

Rende 5 xícaras de creme, o bastante para rechear uma charlotte ou zuccotto com 20cm de diâmetro. Este creme é firme o bastante para ser moldado sozinho e manter sua forma ao ser cortado com faca.

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Bolo 4 de Julho

julho 9, 2006 at 3:10 pm (misturando)

Pão-de-ló de coco (como no Seaweed Cake), recheio e cobertura de suspiro italiano com morangos e blueberries.

Suspiro italiano é um glacê de claras e calda de açúcar em ponto de fio forte. A consistência é razoavelmente firme mas leve, como a de um crème chantilly — bonito para espalhar com espátula, mas não serve para decorações elaboradas.

Suspiro Italiano

1/2 xícara de claras de ovos (4 ou 5 claras)
1/2 colher de chá de creme tártaro (opcional, dá mais estabilidade ao suspiro)
2 colheres de sopa de açúcar
1/4 xícara de água
3/4 xícara de açúcar

Bata ligeiramente as claras até que comecem a espumar, junte as 2 colheres de açúcar e deixe a batedeira ligada em velocidade bem baixa.

Leve a água e 3/4 de xícara de açúcar ao fogo médio para fazer uma calda em ponto de fio forte (120°–121°C, 248°–250°F). Quando a calda estiver fervendo há uns 5 minutos (levará mais uns 2 minutos para chegar ao ponto de fio forte), comece a bater as claras em alta velocidade, até ficarem bem firmes.

Com a batedeira ligada em velocidade baixa, lentamente derrame a calda de açúcar no canto da vasilha. Depois de derramar toda a calda aumente a velocidade e bata até a mistura esfriar, cerca de 2 minutos.

Rende 5 xícaras.

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Seaweed Cake

junho 25, 2006 at 11:04 pm (abstraindo, misturando)

img_0132_peq.jpg

Uma família amiga está voltando ao México, e hoje tivemos um almoço para nos despedirmos. A intenção inicial era um bolo em vermelho, verde e branco, mas quando comecei a trabalhar com o fondant acabei optando por verde oliva e rosa antigo.

A inspiração com os novos tons foi de flores do campo, mas meu marido batizou a criação de Seaweed Cake, Bolo de Algas. Seja como for, ficou muito adequado, pois os homenageados são biólogos, o marido trabalha com leões marinhos (comedores de algas), a mulher com borboletas.

img_0116_peq.jpgEste maravilhoso prato de bolo foi presente de amigos muitos queridos, minha segunda família. Fiquei feliz de estreá-lo com um bolo que fizesse juz à sua beleza e carinho.

Há testemunhas de que o bolo também estava muito gostoso. Fiz um pão de ló de coco e rum, recheio e cobertura de manteiga batida com leite condensado. Finalmente recobri e decorei o bolo com fondant.


Pão-de-Ló de Coco

4 ovos
2 2/3 xícaras de açúcar
1 1/3 xícara de óleo
2 colheres de rum
2 2/3 xícaras de farinha de trigo
1 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1 1/3 xícara de leite
1 1/3 xícara de coco seco ralado bem fino
½ xícara de rum (opcional)

Pré-aqueça o forno em 175°C (350°F). Unte e enfarinhe uma forma desmontável de 25cm de diâmetro.

Bata os ovos em velocidade média-alta. Lentamente adicione o açúcar e bata até ficar um creme grosso e esbranquiçado. Adicione o óleo e o rum, bata bem. Adicione o fermento e a farinha, alternando com o leite. Junte o coco ralado e misture.

Derrame a massa na forma preparada. Asse por 70 à 90 minutos, ou até um palito enfiado no bolo sair limpo.

Deixe o bolo esfriar numa grade por 20 minutos antes de remover da forma. Corte o topo do bolo para nivelar, se desejar regue com ½ xícara de rum e deixe absorver. Deixe o bolo esfriar na grade antes de cortar horizontalmente.

Glacê de Leite Condensado

350g de manteiga
1 colher de chá de essência de baunilha
1 lata de leite condensado

Bata a manteiga em velocidade média-alta até ficar um creme esbranquiçado. Junte a baunilha e bata mais um pouco. Faça dois furos pequenos na lata de leite condensado e despeje a lata inteira, com a batedeira sempre ligada. Bata até formar consistência de glacê.

Este glacê é firme mas bastante macio e pouco resistente à calor, serve para rechear e cobrir bolos, e fazer decorações simples com bico de confeteiro (não serve para fazer flores ou formas elaboradas). Esta quantidade é suficiente para rechear o bolo generosamente, e para cobri-lo com uma camada fina (se não for recobrir o bolo com fondant, aumente a receita de glacê).

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Pasta Fresca

junho 11, 2006 at 1:03 pm (misturando)

A primeira vez que fiz massa de macarrão em casa, abrindo com rolo e cortando os fios com faca, eu cheguei à conclusão que a trabalheira valia a pena. É outro sabor.

Com uma máquina de macarrão motorizada tudo fica tão mais fácil… Nas primeiras duas vezes eu me bati um pouco para pegar o jeito, mas agora consigo produzir folhas de massa fina, maleáveis, de espessura e largura constantes, perfeitas para cortar como spaghetti ou para montar ravioli — o que também fica fácil usando uma forma de ravioli. Depois de incorporar os ingredientes da massa eu uso a própria máquina de macarrão para trabalhar com a massa, duas ou três passadas no rolo 0 e a massa fica super homogênea, sem bolhas de ar.

Meu recheio favorito para o ravioli é purê de butternut squash (não tenho certeza, mas no Brasil parece que se chama de abóbora pescoçuda).

Para jogar por cima do ravioli, beurre noisette, avelãs tostadas e picadas, e queijo parmesão ralado.


Massa para ravioli

3 xícaras de semolina
1 colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 xícara de água morna

Bata no multiprocessador o sal, azeite de oliva e meia xícara da água, usando a lâmina de metal. Com a máquina ligada, adicione lentamente a semolina e o restante da água. Processe até que a massa esteja macia o suficiente para trabalhar, seca o bastante para não grudar nos dedos, mas sem esfarelar. Se estiver muito seca, adicione água gota por gota.

Cubra a massa com filme plástico e refrigere por meia hora.

Divida a massa em três partes. Forme um tijolo bem achatado com cada terço. Passe cada porção de massa pelo rolo 0 da máquina de macarrão algumas vezes antes de tentar abri-la mais fina.

Esta receita rende 1/2 quilo de massa, o que rende 70 ravioli de 5cmx5cm (7 porções) ou macarrão bastante para 4 comilões.

Purê de abóbora tipo butternut

1½ quilo de abóbora tipo butternut (2 ou 3 de tamanho médio)
2 colheres de manteiga
2 colheres de leite
½ xícara de queijo parmesão ralado
1 colher de folhas frescas de sálvia ou tomilho
1 colher de chá de sal

Pré-aqueça o forno em 200°C. Unte uma assadeira.

Corte cada abóbora de comprido, limpe das sementes, e ponha as metades na assadeira com os lados cortados virados para baixo. Asse por 50 à 60 minutos, até que fiquem bem macias.

Enquanto as abóboras ainda estiverem quentes, retire a polpa da casca usando uma colher grande.

Usando a lâmina de metal no multiprocessador, pulverize o queijo ralado com sálvia e sal. Junte a polpa de abóbora e manteiga, e processe bem. Junte o leite e processe até homogeneizar o purê.

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Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba

junho 7, 2006 at 1:55 pm (matutando, misturando, verdejando)

Agradeço à escritora Regina Rheda minha alegria ao confirmar que o mundo está realmente evoluindo. Não bastasse a Sociedade Vegetariana Brasileira estar presente em Curitiba, o capítulo desta cidade está promovendo o Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba, de 23 à 25 de junho de 2006. A entrada é franca, o programa segue abaixo. Confirmação de presença e maiores informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

E em São Paulo, de 4 a 8 de agosto de 2006, o Primeiro Congresso Vegetariano Brasileiro e Latino-americano!

Que bom que as coisas estão mudando. Ser vegetariano no Brasil não é fácil. Nos Estados Unidos e na Europa a situação não é muito melhor, mas o vegetarianismo é mais comum. Como será no resto do mundo? No Brasil muita gente acha que é frescura, coisa de quem quer chamar a atenção. E embora haja enorme escolha de frutas e verduras deliciosas, cozinha e cultura brasileiras são baseadas em carne. No sul do país as comidas são separadas mas prevalece a idéia de que quem não come carne de vaca desmaia de anemia, no centro tudo é misturado e inclui vaca ou porco, no norte tudo tem peixe ou frutos do mar.

Quando eu era criança, adultos e crianças me olhavam com desaprovação, achavam que eu fosse uma criança mimada — muito pelo contrário, em casa eu era forçada a comer todos os tipos de carne. Não podia levantar da mesa enquanto não engolisse todas aquelas coisas que punham no meu prato e que, para o meu paladar, são repugnantes. Adorava ir na casa dos outros e poder recusar as carnes, e ficava muito satisfeita com cenouras, saladas cruas ou batatas, mas existia sempre o desconforto de estar dando trabalho. Meus pais pediam milhões de desculpas aos meus anfitriões, pelo menos na casa dos outros não me forçavam a comer carne. Agradeço a imensa paciência de quem me recebeu, atendeu às minhas restrições, e tolerou minhas perguntas sobre o que tinha dentro das comidas, pois ainda hoje sou muito desconfiada.

Desconfiada sim, pois muita gente acha que dieta vegetariana se resume a não comer carne de vaca ou pedaços sólidos. Volta e meia os não-vegetarianos pensam que comeremos lasagna com presunto, sopa feita com caldo de galinha ou pedaços de carne "para dar gosto", bolinhos com bacon, maionese de camarão, molho de tomate com carne moída, etc.

Teve também quem me pôs à vontade, brincando com a convidada que não dava despesas, "pode vir almoçar aqui em casa todo dia". Tentei levar essa idéia para casa e convencer meus pais de que eu merecia um acréscimo na mesada por ser tão econômica. Eu insistia todo domingo, ao ver a conta do restaurante e confirmar que meu almoço tinha saído de graça ou cinco vezes mais barato que o de qualquer outra pessoa da mesa, mas nunca funcionou.

Hoje encontro quem diz que não mais tolera a digestão da carne vermelha e está pensando em cortar as outras também, mas que tem medo de ficar doente numa dieta vegetariana. Para quem gosta de queijos e ovos isso não é problema, absolutamente. Para quem deseja ser vegan (excluindo qualquer produto animal, inclusive mel) o ideal é fazer a transição aos poucos e verificar a necessidade de complementar a dieta com vitamina B. O cálcio pode ser obtido do leite de soja, legumes e folhas verdes escuras.

Pesquisas científicas têm repetidamente comprovado que o vegetarianismo é extremamente saudável — para o planeta e para o indivíduo. Raros são os vegetarianos com excesso de peso, diabetes ou pressão alta. A incidência de câncer também é significativamente mais baixa, para alguns tipos de câncer quase inexistente.


Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba
Vegetarianismo: Paz Para Todos Os Seres

P R O G R A M A

Sexta-feira, 23 de junho de 2006

Local: UFTPR (antigo Cefet) – Av. Sete de Setembro 3165, Centro.

  • 19h00min: Conferência – "Vegetarianismo, Preservação Ecológica e Solução para a Fome Mundial", com a socióloga e tradutora Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira; mostra do capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca" (produção do Instituto Nina Rosa); perguntas da platéia; término do filme.
Sábado, 24 de junho de 2006

Local: TUC – Teatro Universitário de Curitiba – Galeria Júlio Moreira, sem número, Centro (passagem subterrânea entre a Praça Tiradentes e o Largo da Ordem).

  • 9h00min às 9h55min: Conferência – "Ecologia e Vegetarianismo – Se você se importa com o Planeta, seja vegetariano", com a engenheira florestal Michelle M. Althaus Ottmann, paisagista e integrante do Instituto Agroecológico; capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca".
  • 10h30min: Conferência – "O Vegetarianismo e a Sua Saúde – Longevidade e qualidade de vida com a dieta vegetariana" com Marly Winckler; capítulo de saúde do mesmo filme.

Local: SESC Centro – Rua José Loureiro 578, Centro.

  • 14h30min: Conferência – "Direitos dos Animais e Vegetarianismo: os animais têm inteligência, sentimentos e capacidade de sentir dor?"; com Danielle T. Rodrigues, advogada ambientalista e professora universitária; trechos dos filmes "Não Matarás" e "A Carne é Fraca".
  • 16h20min: Mesa Redonda – "Caminhos para a Paz: Vegetarianismo, Esperanto, Preservação Ecológica e Proteção Animal – Experiências e propostas".
Domingo, 25 de junho de 2006

Local: Brahma Kumaris – Rua Professor Macedo Filho 199, Bom Retiro.

  • 9h: Conferência – "Vegetarianismo: Bom para as Pessoas, Bom para os Animais, Bom para o Planeta", com Marly Winckler; perguntas da platéia.
  • 11h: Bate-papo com Marly Winckler sobre a Sociedade Vegetariana Brasileira e o 1? Congresso Brasileiro e Latino Americano (04 a 08 de agosto / São Paulo); filme do Congresso Vegetariano Mundial ocorrido no Brasil em 2004.

Além das conferências e da mesa redonda, haverá outras atrações, com sorteio de brindes, degustação e sessão de autógrafos.

Entrada franca.

Confirmação de presença e/ou mais informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

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Cabeça de pau

abril 23, 2006 at 11:09 am (misturando, passeando, sorrindo)

Human Head Knife Block, por Irene van GestelTechEblog traz a lista Top 20 Strangest Gadgets and Accessories. Ao lado vai o bloco culinário/terapêutico da designer holandesa Irene van Gestel.

Semelhante inspiração tiveram os criadores do Vice Versa Voodoo Knife Block Set e do Ouch! Voodoo Doll Tothpick Holder.

Gizmodo e Cool Tools apresentam outras (in)utilidades para a cozinha.

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The Meatrix II: Revolting

março 31, 2006 at 1:21 pm (matutando, misturando, passeando, sorrindo, verdejando)

RevoltingFinalmente ficamos sabendo o que aconteceu com Leo, o porco que fora salvo da Meatrix pelo bovino Moopheus em The Meatrix, o original. Ontem foi lançado The Meatrix II: Revolting – o revoltante se refere ao uso de antibióticos e hormônios sintéticos, poluição, mutilações e outras práticas cruéis usadas nas indústria de carnes e derivados de animais.

Embora eu seja vegetariana, não me incomodo que outras pessoas comam carne. É uma opção nada saudável e bastante mal-cheirosa, além de pouco eficiente, mas a cultura é muito enraizada, e certamente que o consumo de animais teve seu papel na evolução da espécie humana. Enquanto os animais tenham uma vida e haja máximo aproveitamento de seu abate, eu aceito a prática.

O que me incomoda profundamente é a forma como galinhas, vacas, porcos e até peixes são roubados de uma existência natural nas indústrias modernas. Do nascimento ao abate os animais são confinados em espaços minúsculos e imundos, são forçados a uma dieta inadequada ao seu sistema digestivo, o que lhes causa maior sofrimento físico, e as técnicas de abate são particulamente cruéis. É triste ver que as pessoas que se dizem indignadas com o extermínio de humanos em tantos episódios do século XX não se revoltam com o suplício físico e emocional destes animais. Qual a diferença entre o massacre de animais e o de humanos?

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Store Wars1Outra grande produção do Free Range Studios é Store Wars, em que Cuke Skywalker faz de tudo para resgatar Princess Lettuce das forças do mal, com a ajuda de Obi Wan Cannoli, Ham Solo, Tofu D2 e Chewbroccoli. Princess Lettuce não aparece na imagem ao lado, mas ela é, literalmente, uma cabeça de alface com duas rosquinhas espetadas.

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Panquecas de Nozes e Linhaça

março 26, 2006 at 8:45 pm (misturando)

Panquecas1 xícara de farinha
4 colheres de sementes de linhaça moídas
6 colheres de nozes moídas
1½ colheres de chá de fermento em pó
½ colher de chá de bicarbonato de sódio
½ colher de chá de sal
1¼ xícaras de buttermilk
¼ xícara de xarope de bordo (mapple syrup) ou mel
2 ovos

Misture os ingredientes secos. Misture os líquidos e junte aos secos, misturando somente o necessário para incorporar os ingredientes. Deixe a massa repousar 20 minutos, ela vai engrossar.

Cozinhe as panquecas numa frigideira levemente untada, usando ¼ xícara de massa para cada uma.

Serve 4 pessoas.


Hoje tivemos panquecas no café da manhã. Esta é minha receita favorita, gostosa e muito saudável. Semente de linhaça é um poderoso desintoxicante do sistema disgestivo. Para triturar as sementes, eu uso o moedor de café.

Buttermilk é um subproduto da fabricação de manteiga, é o líquido que sobra depois que a gordura foi removida do leite integral. Se não tiver buttermilk, adicione 1 colher de vinagre ou suco de limão à 1¼ xícaras de leite morno, misturando até que coagule. Deixe descansar por pelo menos 5 minutos antes de usar. Remova o bicarbonato da receita, e aumente a quantidade de fermento químico para 2 colheres de chá (total).

Para acompanhar estas panquecas, além de manteiga, eu sirvo 2 xícaras de morangos fatiados macerados em duas colheres de xarope de bordo.

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My kind of town

março 22, 2006 at 8:58 pm (abstraindo, misturando, viajando)

Acabo de voltar da minha terceira visita à Chicago. Desde maio do ano passado eu estava convencida San Francisco ser minha cidade favorita nos EUA, mas fui reconquistada por Chicago. Desta vez nem estive em Oak Park ou Hyde Park, passei todo o tempo dentro do Central Loop, exceto por um passeio na North Michigan Avenue e breve perambulada por River North.

Fiquei hospedada entre o Rookery (Burnham and Root, 1888), o elegantérrimo Art Deco LaSalle (Graham, Anderson, Probst & White, 1934), Federal Center (Ludwig Mies van der Rohe, 1959-1974) e Bank of America (Graham, Anderson, Probst & White, 1924). Abaixo, fotos do Rookery. O lobby e pátio foram reformados por Frank Lloyd Wright em 1907.

The Rookery The Rookery The Rookery

Chase (First National Plaza)Chicago tem prédios maravilhosos, aos montes. Um dos meus preferidos é o Chase Tower (Perkins & Will, 1969), foto ao lado. As laterais côncavas dão um ar de leveza a este prédio de 60 andares, a perspectiva é bonita mesmo ao nível dos pedestres. A plaza em terraços é também muito interessante e convidativa.

Em River North, meu favorito é o John Hancock Center (Skidmore, Owings & Merrill, 1970). As braçadeiras na diagonal reduzem quase que pela metade a necessidade de aço na estrutura, e assim os 100 andares de uso comercial e residencial têm grande liberdade para arranjar o espaço interno.

Voltando ao Central Loop e ao século XIX, o simples e massivo Monadnock Building (Burnham & Root, 1891) é lindo por fora e por dentro (fotos abaixo). Todo em alvenaria, na base as paredes têm 1.80m de espessura para suportar seus 16 andares. Nesta época usava-se pátios internos para acomodar a necessidade de luz natural em grandes edifícios (como no Rookery), mas o terreno do Monadnock era muito estreito para permiti-lo. A solução encontrada foi transformar as escadas em poços de luz.

The Monadnock The Monadnock The Monadnock

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Vivere RestaurantMas talvez a melhor parte de Chicago seja a possibilidade de comer bem fora de casa (coisa que não é muito fácil neste país). O Central Loop nem é o ponto alto da cidade, mas eu aproveitei bem. Todos os dias, antes do café da manhã, eu me dirigia para a Kramer’s Health Food Shoppe (209 S. Wabash Avenue) onde tomava um suco centrifugado de cenoura, beterraba, espinafre, salsinha e gengibre. Nos arredores haviam várias padarias e cafés, eu podia *escolher* onde comer. Na terça jantei no Vivere, um dos três restaurantes da famiglia Capitanini no Italian Village. A decoração é uma espécie de rococó pós-moderno (projeto de Jordan Mozer), com espirais barrocas e outras maluquices (foto ao lado). A comida estava bem gostosa, e o serviço decente.

Na sexta fui ao Ristorante We, uma casa de carnes toscana dentro do Hotel W. A salada de rúcula, finnochio, laranja, queijo de cabra e avelãs tostadas estava muito boa, embora a quantidade de avelãs deixasse a desejar. Estava nos planos experimentar as batatinhas fingerling da casa, mas o pão de alho com molho de gorgonzola estava tão maravilhoso que não consegui pensar em comer mais nada.

Trattoria No. 10Mas o ponto alto foi quarta-feira: Trattoria No. 10, também um restaurante de cozinha toscana. O Trattoria é um restaurante mais discreto, muito elegante e confortável. Eu poderia ter passado a noite tomando vinho e comendo os crackers feitos na casa, mas escolhi uma salada de folhas verdes com nozes carameladas, queijo de cabra e vinagrete de passas e sherry; e ravioli de abóbora dos tipos butternut e acorn, com molho de manteiga, nozes, manjericão, e vegetais crus à julienne. Ainda estou suspirando. Pannacota de sobremesa.

O café da manhã de sábado (waffle com manteiga de açúcar mascavo, morangos frescos e chantilly) foi no Atwood Cafe, dentro do Burnham Hotel (originalmente Reliance Building, por Daniel Burnham, John Root and Charles Atwood, 1894), fotos abaixo. Este prédio, um dos mais bonitos da Chicago antiga, é um importante precursor dos arranha-céus. 14 pavimentos, estrutura de ferro e aço, fachada coberta com painéis de terracota e uma grande quantidade de vidro para a época. O restauro do Reliance levou tempo e foi bastante cuidadoso. Os painéis de terracota foram limpos, consertados e polidos. As escadas em ferro e as portas dos antigos escritórios, em mogno e vidro florentino, foram restauradas. Infelizmente a equipe responsável pela decoração do hotel careceu de alguns neurônios. No caminho do restaurante para os banheiros foi colocado um carpet escuro passando por alguns degraus, sem nenhuma demarcação da mudança de nível. Meu encontro com estes degraus foi bastante doloroso, depois do café da manhã fui direto para o hospital cuidar de uma torção no pé.

The Reliance The Reliance The Reliance

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Além de comida e arquitetura de primeira classe, a cidade também oferece o Art Institute of Chicago. O acervo é maravilhoso, famoso pela coleção de impressionistas e de arte americana (por exemplo, Nighthawks de Edward Hopper e American Gothic de Grant Wood). Eu gosto particularmente da coleção de mobília do século XX, Thorne Miniature Rooms e esculturas caricaturescas de Honoré Daumier.Portrait du citoyen Belley (Girodet, 1797) Tive a sorte de pegar a exposição Girodet: Romantic Rebel. Anne-Louis Girodet de Roucy-Trioson (1767-1824) foi um pintor francês, discípulo de Jacques-Louis David. Seu trabalho marcou a transição da austeridade neo-clássica para o lirismo fantasioso do romanticismo.

Ao lado está o Portrait du citoyen Belley (1797). Belley era do Senegal, um ex-escravo no Caribe que trabalhou para abolir a escravidão nas colônias francesas. Belley veste o uniforme de um deputado da convenção, e seu rosto está no meio-perfil que se usava para retratos de nobres e reis – um ângulo que traz dignidade ao retrato, mas também realça as formas de seu crânio. Belley se apóia no pedestal do busto do abolicionista Guillaume-Thomas Raynal, a cor do mármore e a testa reta evidenciando o que na época se acreditava como marca de inteligência superior. Neste retrato Girodet celebrava o estabelecimento dos direitos humanos pela então recém formada república francesa, ao mesmo tempo que evocava as novas estruturas sociais baseadas em racismo.

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Chicago é viva, cheia de jazz, com gente andando nas ruas, sorrisos e olhares, bons-dias entre aqueles que esperam o sinaleiro abrir. A cidade tem muitos problemas, mas está sempre encarando seus demônios e correndo atrás de soluções. De cultura avançada e progressista, Chicago é o berço americano da arquitetura, dos serviços sociais e direitos trabalhistas, dos estudos sociológicos sobre racismo, segregação, pobreza, imigrantes e família.

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Torrone – A sticky affair

março 17, 2006 at 2:17 pm (misturando)

Estou passando mal de tanta vontade de provar esta receita de torrone publicada no Delicious Days. Felizmente, esta é feita com mel ao invés de xarope de milho (que eu considero um veneno). Mas eu pretendo usar avelãs e talvez um pouco de nozes, ao invés de amêndoas e pistaches.

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Salada de Kumquat, Tâmaras e Parmesão

fevereiro 26, 2006 at 12:08 pm (misturando)

Kumquat5 kumquats
4 punhados de rúcula jovem
1/2 xícara de salsinha picada
2 tâmaras tipo Medjool, descaroçadas e picadas
2 colheres de chá de suco de limão
2 colheres de azeite de oliva
Sal e pimenta do reino à gosto

Fatie os kumquats em rodelas finas, descartando as sementes. Combine a rúcula, salsinha, tâmaras, kumquats e parmesão em uma vasilha grande. Misture o suco de limão e azeite de oliva, tempere com o sal e pimenta. Despeje este tempero sobre a salada e misture o bastante para cobrir as folhas. Rende 4 porções.


Esta receita saiu na Magazine do NY Times de hoje, em um artigo sobre a kumquat (também conhecida como laranjinha chinesa e laranja de ouro): The Way We Eat: Skin Deep, por Amanda Hesser. 

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Chocolate quente temperado

fevereiro 16, 2006 at 6:28 pm (misturando)

½ vagem de baunilha
2 xícaras de leite integral
2 colheres de água
1 pitada de gengibre em pó
1 pitada de canela em pó
1 pitada de pimenta do reino
1 pitada de alcaçuz (opcional)
100g de chocolate meio-amargo picado
4 colheres de chá de cacau em pó Scharffen Berger
1 à 2 colheres de chá de açúcar
3 colheres de creme de leite fresco

Coloque o leite, água e temperos numa panela. Raspe a meia vagem de baunilha sobre o leite temperado, junte também a vagem. Leve a panela ao fogo baixo e deixe levantar uma fervura leve. Adicione o chocolate e cacau, misture até dissolver. Adicione o açúcar e o creme de leite. Deixe esfriar por pelo menos 45 minutos, para o sabor da baunilha impregnar bem.

Na hora de servir remova a vagem de baunilha, retorne a panela ao fogo baixo e misture até esquentar. Rende 4 porções.


Esta receita foi traduzida e adaptada à partir daquela publicada no NY Times em The Way We Eat: The Sweet-Tooth Fairy, originalmente do livro The Chocolate Connoisseur por Chloé Doutre-Roussel. No sítio da autora, ela disponibiliza o PDF do capítulo A guide to tasting.

Bem, ignorante que sou desses chocolates de Madagascar e Venezuela, e na falta de Scharffen Berger, contentei-me com Chocolate em Pó Solúvel Nestlé (que na verdade se trata de cacau em pó) e um chocolate meio amargo que tinha em casa, acho que italiano. Ficou muito gostoso.

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Zuccotto di Mandorle e Fragole

outubro 9, 2005 at 8:42 pm (misturando)

Zuccotto é a versão italiana do charlotte royale. O charlotte royale usa fatias de rocambole para forrar uma forma redonda, o zuccotto usa fatias de bolo arrumadas em espiral. Nada contra a cozinha francesa (tantas formas deliosas de preparar batatas), mas tudo que vem da Itália é mais elegante e saboroso.

Fiz uma génoise de amêndoas (aqui tenho que admitir, a génoise é o método francês de bolos-esponja) numa forma quadrada e a cobri com uma ganache de chocolate. Cortei o bolo em fatias, as embebi em licor de amêndoas, e as usei para forrar uma vasilha redonda. O truque é cortar uma das extremidades de cada fatia em cunha, para evitar que haja muito bolo empilhado no centro da forma.

A bavarois para rechear o zuccotto foi feita com creme de leite, gelatina e purê de morangos. Existem receitas que cozinham parte dos morangos para concentrar o sabor e reduzir a quantidade de líquido, eu gosto do método abaixo pois o sabor do purê não cozido é mais fresco. Os morangos levam tempo descongelando, é melhor fazer de véspera.

Génoise de Amêndoas

7 ovos
2 gemas de ovos
100g de amêndoas despeladas
100g (1/2 xícara) de açúcar
125g (3/4 xícara + 2 colheres) de farinha
20g (2 colheres) de fécula de batata
135g (2/3 xícara) de açúcar
30g (2 colheres) de manteiga derretida

Deixe os ovos chegarem à temperatura ambiente. Moa as amêndoas juntamente com as 100g de açúcar para fazer uma farinha bem fina. Peneire a farinha com a fécula de batata, e junte a mistura de amêndoas moídas e açúcar.

Pré-aqueça o forno em 190°C (375°F). Unte e enfarinhe uma forma de 23cm de diâmetro ou forma quadrada de volume semelhante.

Combine os ovos, gemas e 135g de açúcar numa vasilha de aço inox, e misture bem usando um batedor. Leve a bacia para um banho-maria (somente de vapor, não deixe a bacia encostar na água) e deixe atingir 40°C (110°F), batendo sempre, até ficar espumoso e de cor amarelo pálido.

Remova a vasilha do banho-maria e bata em velocidade média até que a mistura aumente de volume e esfrie, tornando-se um creme grosso e esbranquiçado. Incorpore delicadamente a mistura de farinhas e amêndoas, e finalmente incorpore a manteiga derretida.

Asse por 18 à 22 minutos, até que o topo do bolo esteja ligeiramente dourado, e um palito enfiado no bolo saia limpo. Retire do forno e deixe o bolo descansar 5 minutos antes de desenformar.

Ganache de Chocolate

350 g de chocolate amargo bem picadinho
1 xícara de creme de leite fresco
1 colher de chá de xarope de milho

Coloque o chocolate numa vasilha. Aqueça o creme de leite numa panela até ferver. Derrame o creme de leite sobre o chocolate. Deixe descansar uns 5 minutos, para dissolver o chocolate. Junte o xarope de milho e misture bem até ficar um creme liso.

Ao esfriar a ganache vai ficar mais consistente. Estará no ponto de derramar sobre o bolo quando cobrir as costas de uma colher.

Purê de Morangos

600g (1 1/4 litro) de morangos congelados
1 colher de chá de suco de limão

Coloque os morangos num escorredor de macarrão suspenso sobre uma vasilha. Descongele os morangos completamente (vai demorar várias horas). Ocasionalmente esprema os morangos contra o escorredor, para ajudar a soltar o líquido.

Quando os morangos tiverem perdido cerca de 1 1/4 xícaras de suco, leve os morangos e suco de limão ao multiprocessador equipado com lâmina de metal, e bata até virar um purê.

Bavarois de Morangos

2 1/2 colheres de chá de gelatina em pó sem sabor
1 xícara de purê de morangos
7 colheres de açúcar
2 xícaras de creme de leite fresco

Coloque 1/4 de xícara do purê de morangos e a gelatina em pó numa vasilhinha de vidro, e deixe descansar por 5 minutos. Leve ao microondas por alguns segundos e misture bem para dissolver a gelatina. Misture esta porção e o açúcar ao restante do purê de morangos.

Bata o creme de leite até que faça picos suaves. Adicione o purê de morangos já com gelatina e açúcar, e bata até formar picos firmes.

Rende 5 xícaras de creme, o bastante para rechear uma charlotte ou zuccotto com 20cm de diâmetro. Este creme é firme o bastante para ser moldado sozinho e manter sua forma ao ser cortado com faca.

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BoingBoing: I have seen God in a cup of chocolate

junho 6, 2005 at 4:47 pm (misturando)

Quase passei mal de tanta vontade ao ler este relato de uma visita a uma loja de chocolates em Firenze: I have seen God in a cup of chocolate.

I don’t hardly eat sugar, and I practically never eat dessert, but last night, Ben Hammersley took me to Hemingway’s, a chocolate joint in Florence, Italy. I have never, ever tasted anything remotely as good as the things I tasted last night. I ate so much chocolate that I sweated it all night. It was completely worth it. (…)

There were many delicious things on offer at Hemingway’s, but two were so good as to be life-changing. The first was a flourless, eggless dark chocolate torte, which had the consistency of the inside of a truffle and was served slightly chilled. Every mouthful of this made me feel like something important in my mouth was bursting. There were medieval princes who spent lifetimes searching for experiences that did this sort of thing to your sensory apparatus. Whatever they found was nothing so good as this.

But the very best was their Mexican-style drinking chocolate, called the Montezuma, a viscous drink made with very bitter chocolate, seasoned with chillies, aged Cuban rum (I don’t drink, either, but I had two of these), and cinnamon and nutmeg. The longer I held sips of Montezuma in my mouth, the more flavors and subtleties I discovered. The chillies suffused my sinuses and the rum made my whole abdomen glow gently, like banked coals. This was, without a doubt, the best thing I ever tasted, and possibly the best sensation I’ve ever experienced. I’ve seen people in religious ecstasy. That’s what this felt like. (…)

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Ragusano

março 14, 2005 at 12:50 am (misturando)

Diretamente do Il Forno, um artigo que me deixou com água na boca: Southern Italian cheeses, part II: Ragusano, the king of Sicilian cheese.

Ragusano(…) You don’t often hear about Southern Italian cheese when the best Italian cheeses are named. It’s almost always the Parmigiano Reggiano, Gorgonzola, Taleggio triad. What a lack of fantasy! It’s a pity that these are the only cheeses mentioned, because Italy has more than 400 to choose from and many are at least as delicious and at times breathtaking as these three. Southern Italian cheeses suffer from another problem. They’re clearly “something different”, coming from a unique gastronomic background, much unlike Northern Italian cheese which often share characteristics with their alpine relatives, be they French, Swiss or Austrian. And different is good in my book, as long as it ain’t weird.

Ragusano is a cow’s raw milk cheese hailing from the Iblean plateau and the nearby city of Ragusa (doh!) in Sicily: it has been called the king of the island cheese by many Italian cheese experts, and while I haven’t tasted all of the island’s cheeses I do agree it is a great, imposing and important example of the craft. (…)

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Café da manhã de Natal

dezembro 31, 2004 at 3:09 pm (misturando)

Este ano tivemos uma convidada super especial para o Natal. Uma amiga muito querida do Brasil está passando um semestre na Carolina do Norte, e veio passar uns dias conosco para celebrar o Natal e matar as saudades.

Meu marido se assustou. Ele não sabia que duas mulheres eram capazes de passar 20 horas fofocando quase ininterrupdamente. E de repetir o feito em dias seguintes…

O cardápio do café da manhã do dia 25 foi vitamina de banana, morango e blueberry; iogurte de framboesas; e gubana — o pão doce para a Páscoa tradicional na região de Friuli, nordeste da Itália. O recheio combina avelãs, nozes, pignoli, amêndoas, damascos, casca de laranja cristalizada, e uma boa dose de rum e licor.

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Bolo Babador

dezembro 19, 2004 at 8:49 pm (abstraindo, misturando)

Fiz este bolo para o chá de bebê de uma amiga. A idéia foi de fazer um babador, com alguns lacinhos e florzinhas pois a homenageada é menina.

Pão-de-ló de nozes e avelãs; recheio, cobertura e decorações de glacê de manteiga italiano.

Este pão-de-ló é meu favorito para bolos decorados. É bastante firme, pode ir à geladeira (bolos de manteiga ficam duros quando gelados), o método é infalível, e a combinação de nozes e avelãs é além de gostosa.

O glacê de manteiga italiano é particularmente leve e saboroso, e adequado para decorações com bico de confeteiro pois é bem firme e estável mesmo em dias quentes.

Pão-de-Ló de Nozes e Avelãs

4 ovos
2 2/3 xícaras de açúcar
1 1/3 xícara de óleo
2 colheres de licor de nozes ou avelãs
2 2/3 xícaras de farinha de trigo
1 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1 1/3 xícara de leite
2/3 xícara de nozes moídas bem fino
2/3 xícara de avelãs despeladas e moídas bem fino
½ xícara de rum (opcional)

Pré-aqueça o forno em 175°C (350°F). Unte e enfarinhe uma forma desmontável de 25cm de diâmetro.

Bata os ovos em velocidade média-alta. Lentamente adicione o açúcar e bata até ficar um creme grosso e esbranquiçado. Adicione o óleo e o licor, bata bem. Adicione o fermento e a farinha, alternando com o leite. Junte as nozes e avelãs moídas e bata até incorporar bem.

Derrame a massa na forma preparada. Asse por 70 à 90 minutos, ou até um palito enfiado no bolo sair limpo.

Deixe o bolo esfriar numa grade por 20 minutos antes de remover da forma. Corte o topo do bolo para nivelar, se desejar regue com ½ xícara de licor e deixe absorver. Deixe o bolo esfriar na grade antes de cortar horizontalmente.

Glacê de Manteiga Italiano

1/3 xícara de água
1 1/2 xícaras de açúcar
2/3 xícara de claras de ovos
450 gramas de manteiga
1 colher de chá de extrato de baunilha

Leve a água e açúcar ao fogo médio para fazer uma calda em ponto de fio forte (116°–120°C, 242°–249°F). Quando a calda estiver fervendo há uns 5 minutos (levará mais uns 2 minutos para chegar ao ponto de fio forte), comece a bater as claras em alta velocidade, até ficarem bem firmes. Com a batedeira ligada, lentamente derrame a calda de açúcar no canto da vasilha, e bata até a mistura esfriar, cerca de 10 minutos (é importante que o merengue não esteja quente, para que não derreta a manteiga).

Uma vez que o suspiro esteja frio, adicione a manteiga cortada em cubos, aos poucos. Quando o creme começar a espirrar da vasilha, baixe a velocidade da batedeira. Junte a baunilha, e bata até o creme ficar bem leve e fofo.

Rende 5 1/4 xícaras de glacê.

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