Congenital Amusia

novembro 14, 2006 at 12:42 am (abstraindo, passeando)

Teste seu ouvido musical em 6 minutos…

O teste foi desenvolvido por Jake Mandell, um estudante de medicina interessado em estudar percepção musical neurologicamente. Das suas composições eu confesso que não gostei, mas as imagens acompanhando os clips musicais são bem interessantes.

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Pós-guerra na Europa, o Terror francês… e Leonardo

julho 27, 2006 at 10:22 pm (abstraindo, matutando)

Alguns comentários sobre livros são tão bem feitos que, além de despertar a vontade de ler os livros propriamente, já se aprende um bocado somente lendo a crítica.

Procurando informações sobre “Postwar”, de Tony Judt, descobri o comentário de Anthony Gottlieb no New York Times de 16 de outubro de 2005. “Postwar”, uma descrição detalhada da recuperação da Europa depois da Segunda Guerra, é tido pelo NY Times como um dos melhores livros de 2005. [Abaixo Der Hirte por Georg Baselitz (1966). O quadro faz parte de uma série chamada “Heróis” ou “Os novos tipos”. Segundo o texto do catálogo de um leilão da Christie’s em 2001, é o retrato de um homem aos andrajos e cheio de dúvidas num terreno devastado (em contraste à natureza sublime da tradição romântica alemã), provavelmente um soldado derrotado voltando para casa.]

Der Hirte, por George Baselitz (1966)One of the pleasures of this rich and immensely detailed book is its portrayal of Europe’s recovery from the devastation of 1945 as an organic regrowth. What seemed back then to be the twitching limbs of the dying was in fact the stirring of new life.

As Judt movingly draws it, the picture of Europe at the end of World War II is pitiful almost beyond bearing. Some 36.5 million Europeans are reckoned to have died between 1939 and 1945 because of the war. Tens of millions more were uprooted by Hitler and Stalin. In the immediate aftermath of Germany’s defeat, the continent was scarred with violent retribution, purges and outbreaks of what in some places — like Greece and Yugoslavia — amounted to civil war. As Judt notes, the war in Europe did not really end in 1945 at all. Neither did the persecution of Jews end with the closing of the death camps: well over a thousand Jews were killed in Polish pogroms after the liberation of Poland.

É horrível, mas faz sentido. A Polônia talvez tenha sido o país mais cruelmente devastado durante a guerra, e quando existe confusão não é raro a corda arrebentar do lado mais fraco, neste caso os judeus que sobreviveram ao holocausto e que tentaram voltar para casa. A respeito disso, outro livro interessante acaba de ser lançado e comentado na Magazine do NY Times deste último domingo: “Fear: Anti-Semitism in Poland After Auschwitz. An Essay in Historical Interpretation”, por Jan T. Gross. O primeiro capítulo do livro pode ser lido aqui.

Voltando ao comentário de Gottlieb sobre “Postwar”, de Tony Judt:

Man in a Cap, por Francis Bacon (~1943)Continuing anti-Semitism in Europe, and the fact that Germany was not always the source of it, is a topic to which the author returns often. While Germany quite rightly bore the brunt of the blame for Europe’s tragedy, other villains slipped away unnoticed. It was Austria, after all, that gave the world “Waldheimer’s disease” — the inability to remember what you did during the war, named for Kurt Waldheim, a secretary general of the United Nations who became Austria’s president in 1986. In a country of under seven million inhabitants, there were still more than 500,000 registered Nazis in Austria at the end of the war. Austrians were greatly overrepresented in the SS and among concentration-camp staff. Tellingly, over 38 percent of the members of the Vienna Philharmonic orchestra were Nazis, compared with just 7 percent of the Berlin Philharmonic. And in an epilogue on modern European memory, Judt reminds us that the sickness that fueled Auschwitz is not fully cured. In 2000, criticizing a study of a wartime massacre of Jews by their Polish neighbors, Lech Walesa, the hero of Poland’s anti-Communist uprising and a winner of the Nobel Peace Prize, dismissed the study’s author as “a Jew who tries to make money.”

One of the starkest indications of the “Himalayan” task facing Europeans in 1945 was the destruction of the housing stock. Germany had lost 40 percent of its homes, Britain 30 percent and France 20. (In Warsaw 90 percent of homes were gone).

Gottlieb continua, falando da economia européia no pós-guerra e do plano Marshall. [Acima está Man in a Cap por Francis Bacon, uma composição inacabada usando uma foto de Joseph Goebbels, por volta de 1943.]
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Na edição de 5 de junho, a New Yorker trouxe Adam Gopnik comentando dois livros sobre o terror na França revolucionária. Um dos livros é “The Terror: The Merciless War for Freedom in Revolutionary France”, por David Andress. [Abaixo Marat assassiné, por Jacques-Louis David (1793).]

Marat assassiné, por Jacques-Louis David (1793)(…) Andress sets out to demonstrate, the Terror was also a consequence of the reactionary encirclement of France by the other powers of Europe. Those powers had learned nothing and forgotten nothing; they had it in for Republican France, and intended to restore a vengeful absolutism to the throne. What drove the Terror was not a crazed intellectual desire to extend the Revolution to every corner of existence but a desperate desire to maintain its achievements in the face of opposition. Robespierre and his group were revolutionary butchers, but they were butchers surrounded by vampires. “It is necessary to maintain a sense of proportion,” Andress writes in his introduction.

O outro livro vem a detalhar o magistrado deste terror — “Fatal Purity: Robespierre and the French Revolution”, por Ruth Scurr.

“Fatal Purity” is in its way just as rewarding, because of what Robespierre represents: the ascent of the mass-murdering nerd—a man who, having read a book, resolves to kill all the people who don’t like it as much as he does. (…) It is often said that terror of this kind is possible only when one has first “dehumanized” some group of people—aristocrats, Jews, the bourgeoisie. In fact, what motivated the spectacle was exactly the knowledge that the victims were people, and capable of feeling pain and fear as people do. We don’t humiliate vermin, or put them through show trials, or make them watch their fellow-vermin die first. The myth of mechanical murder is almost always only that.

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Para terminar o post com aspectos mais nobres da natureza humana, outro comentário que vale a pena ser lido do começo ao fim é Renaissance Man, também por Adam Gopnik (New Yorker de 17 de janeiro de 2005), falando de dois livros recentemente publicados sobre a vida de Leonardo da Vinci.

When I was a teen-ager, I wrote a science-fiction story about Leonardo da Vinci. (…) Sensing, sadly but with characteristic prescience, that the market in occult stories involving strange codes hidden in Leonardo’s works was essentially nil, I left the story unfinished; just recently, a new pair of Leonardo books brought it to mind. The basic notion—that Leonardo is so weird that he might as well be from another planet—turns out to be hardy enough to have survived even a century of scholarship aimed at replacing romantic, otherworldly Leonardo with historical Leonardo, a man of his time.

Gopnik apresenta “Leonardo”, por Martin Kemp, e “Leonardo da Vinci: Flights of the Mind”, por Charles Niccholl. O primeiro o sumário de sua obra, o segundo recheado de história social e especulação bem embasada. Nas palavras de Gopnik:

[T]hey complement each other almost perfectly: Kemp’s is Leonardo seen from the inside out, Nicholl’s from the outside in. Kemp explains Leonardo’s principles of design and his theory of the world from an intense knowledge of his mind and drawings; Nicholl shows where his ideas came from and who paid to subsidize them, through a broad rendering of his life and times.

Ponte Leonardo, Noruega (2001)O comentário de Gopnik é cheio de coisas fascinantes sobre a vida e obra de Leonardo, como sua tentativa de transcender arte e beleza na busca por um sistema universal de proporção que explicasse a natureza — o que, ele não sabia, dois séculos mais tarde seria chamado de força gravitacional por Isaac Newton. Já que lhe faltava uma matemática mais avançada, seus processos mentais eram visuais e geométricos. [Na foto à esquerda, a Ponte Leonardo em Aas, Noruega, construída em 2001 a partir de uma idéia de Leonardo em 1502.]

E Gopnik tem mais a dizer sobre a imensa popularidade de estórias envolvendo códigos escondidos nos trabalhos de Leonardo…

A cultural anthropologist, a hundred years from now, will doubtless find, in the unprecedented success of “The Da Vinci Code” during the time of a supposed religious revival, some clear sign that, in the Elvis mode, what a lot of Americans mean by spirituality is simply an immense openness to occult superstitions of all kinds.

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NY Times: He Who Cast the First Stone Probably Didn’t

julho 25, 2006 at 11:57 pm (abstraindo, matutando)

Isacco respinge Esaù, atribu�do à Giotto di Bondone (1290-1295)O New York Times de ontem trouxe um artigo que explica muito bem como os conflitos e agressões domésticas e políticas se escalam: He Who Cast the First Stone Probably Didn’t, por Daniel Gilbert. Virtualmente em todas as sociedades e religiões, a retribuição de uma agressão dá justificativa aceitável para fazer-se aquilo que seria proibido em outras condições. Mas estudos recentes mostram que o indivíduo se lembra das causas de suas próprias ações, mas somente das consequências das ações do outro — isto é, o indivíduo usualmente não se lembra do que fez para causar uma ação do outro.

In a study conducted by William Swann and colleagues at the University of Texas, pairs of volunteers played the roles of world leaders who were trying to decide whether to initiate a nuclear strike. The first volunteer was asked to make an opening statement, the second volunteer was asked to respond, the first volunteer was asked to respond to the second, and so on. At the end of the conversation, the volunteers were shown several of the statements that had been made and were asked to recall what had been said just before and just after each of them.

The results revealed an intriguing asymmetry: When volunteers were shown one of their own statements, they naturally remembered what had led them to say it. But when they were shown one of their conversation partner’s statements, they naturally remembered how they had responded to it. In other words, volunteers remembered the causes of their own statements and the consequences of their partner’s statements.

Um outro estudo conduzido no University College London mostra que as pessoas tendem a retribuir cutucadas com força 40% maior…

Although volunteers tried to respond to each other’s touches with equal force, they typically responded with about 40 percent more force than they had just experienced. Each time a volunteer was touched, he touched back harder, which led the other volunteer to touch back even harder. What began as a game of soft touches quickly became a game of moderate pokes and then hard prods, even though both volunteers were doing their level best to respond in kind.

Each volunteer was convinced that he was responding with equal force and that for some reason the other volunteer was escalating. Neither realized that the escalation was the natural byproduct of a neurological quirk that causes the pain we receive to seem more painful than the pain we produce, so we usually give more pain than we have received.

José atirado no poço, por Messire Jehan de Mandeville (1360-1370)A tragédia aumenta quando os adversários não são do mesmo tamanho. Em 28 de fevereiro o New York Times trouxe Beyond Rivalry, a Hidden World of Sibling Violence, Katy Butler fala de como os grandes intimidam os pequenos, e se estes tentam retribuir as coisas pioram. E os pais confortavelmente ignoram o que acontece debaixo do seu nariz. Ano passado li um livro um tanto chocante mas muito elucidativo, A Natural History of Families, por Scott Forbes. O autor descreve como em várias espécies — inclusive a humana — a rivalidade entre irmãos é alimentada pelos pais que, conscientemente ou não, querem ver os filhos disputando pelo seu amor e cuidados. O que nos faz humanos é lutar contra tal impulso, mas ainda assim o impulso é forte e persistente, mesmo que os recursos para cuidar da prole sejam abundantes. Amor fraterno e proteção dos mais fracos são construções sociais da civilização humana — nada naturais.

Lá em cima está Isacco respinge Esaù (1290-1295), um afresco na Basilica di San Francesco em Assisi, atribuído à Giotto di Bondone. Mais abaixo, José atirado no poço, uma iluminura para o livro do Gênesis por Messire Jehan de Mandeville (1360-1370), J. Paul Getty Museum em Los Angeles.


								

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New Yorker: American Abstract

julho 25, 2006 at 9:54 pm (abstraindo, matutando)

Autumn Rhythm - Number 30, por Jackson Pollock (1950)

Dia 11 de agosto próximo estará fazendo 50 anos da morte de Jackson Pollock. A New Yorker de 31 de julho traz um artigo falando da exposição celebrando sua obra no Guggenheim, sua vida e trabalho: American Abstract, por Peter Schjeldahl.

Born in Wyoming, Pollock came to New York, from California, in 1930. He was mentored at the Art Students League by Wood’s American Scene colleague Thomas Hart Benton. He soon found the Expressionist and Surrealist tendencies of the downtown avant-garde more congenial than Benton’s mannered figuration, partly because he was tormented by a belief that he could never draw properly. But a sense of nationalist mandate stayed with him. It’s an undertone in his famous reply to the German painter and pedagogue Hans Hofmann, who had suggested that he try working from nature: “I am nature.” The glowering Westerner who became known as Jack the Dripper seemed to speak not just for the country but as it, in person: the Great American Painter, at a moment that was hot for Great American thises and thats. His helplessly photogenic, clenched features, broadcast by Life in 1949, made him a pinup of seething manhood akin to Marlon Brando. It wasn’t even necessary that Pollock be a great artist, though he was. Unlike Wood, he countered the humiliating authority of European modern art not by rejecting it but by eclipsing it. Abstraction may have still scandalized most Americans, but suddenly it was a homegrown scandal, with nothing sissified about it. The macho pose, an obligatory overcompensation for aestheticism in the nineteen-fifties, ill suited a man whose ruling emotion was fear, which sprung from an anxious childhood in a ragged, nomadic family. But it sold magazines.

Blue Poles, por Jackson Pollock (1950)Acima está Autumn Rhythm – Number 30, pintado por Jackson Pollock em 1950. O original está no Metropolitan em Nova Iorque, seus mais de 5 metros de largura e quase 3 de altura ocupando uma parede inteira, é um quadro impressionante, a gente se perde dentro dele. Ao lado, Blue Poles (1950), residente na National Gallery of Australia, em Canberra.

Palavras de Eli Siegel em seu artigo “Beauty and Jackson Pollock, Too” (1955):

The unconscious, as artistic, goes after unrestraint, but unrestraint as accurate; and when unrestraint is accurate, the effect on mind is still that of beauty. And:—if his work is successful, there is in this work, power and calm, intensity and rightness, unrestraint and accuracy—and these, felt at once, make for beauty.

Para brincar de Pollock, eu recomendo jacksonpollock.org (este flash foi roubado de Michal Migurski, mas a vantagem é que permite trocar as cores de tinta).

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Este exemplar da New Yorker vem também com um artigo sobre a Wikipedia, que em março atingiu 1 milhão de artigos (a Encyclopædia Britannica tem apenas 120 mil): Can Wikipedia conquer expertise?, por Stacy Schiff.

[Jimmy Wales, Wikipedia’s founder] says that he is on a mission to “distribute a free encyclopedia to every single person on the planet in their own language,” and to an astonishing degree he is succeeding. Anyone with Internet access can create a Wikipedia entry or edit an existing one. The site currently exists in more than two hundred languages and has hundreds of thousands of contributors around the world. Wales is at the forefront of a revolution in knowledge gathering: he has marshalled an army of volunteers who believe that, working collaboratively, they can produce an encyclopedia that is as good as any written by experts, and with an unprecedented range.

Wikipedia is an online community devoted not to last night’s party or to next season’s iPod but to a higher good. It is also no more immune to human nature than any other utopian project. Pettiness, idiocy, and vulgarity are regular features of the site. Nothing about high-minded collaboration guarantees accuracy, and open editing invites abuse.

encyclopedie2.jpg(…) As was the Encyclopédie [by Diderot and d’Alembert, 1751-80], Wikipedia is a combination of manifesto and reference work. Peer review, the mainstream media, and government agencies have landed us in a ditch. Not only are we impatient with the authorities but we are in a mood to talk back. Wikipedia offers endless opportunities for self-expression. It is the love child of reading groups and chat rooms, a second home for anyone who has written an Amazon review. This is not the first time that encyclopedia-makers have snatched control from an élite, or cast a harsh light on certitude.

Preciosas instruções para curar soluços, via Wikipedia.

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WSJ: Downloading Vintage Songs

julho 18, 2006 at 4:26 pm (abstraindo, passeando)

Cat and Gramophone, por Colin RuffellJá falei aqui sobre o Sabadabada, dedicado à música pop brasileira dos anos 60 e 70. Hoje fiquei sabendo através do Wall Street Journal de mais uns endereços para baixar músicas antiguinhas:

O fofinho aí em cima é Cat and Gramophone, por Colin Ruffell.

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NY Times: New Klimt in Town

julho 15, 2006 at 5:26 pm (abstraindo, matutando, viajando)

Ao lado está o retrato de Adele Bloch-Bauer, pintado por Gustav Klimt em 1907. Recentemente comprado por Ronald Lauder por, especula-se, 135 milhões de verdinhas, o retrato já está pendurado na Neue Galerie for German and Austrian Art, Manhattan, para que o público possa absorver sua beleza.

Ontem o New York Times trouxe New Klimt in Town: The Face That Set the Market Buzzing, por Michael Kimmelman. Vale ler o artigo do começo ao fim. Kimmelman conta a interessante estória do retrato (durante anos travou-se uma luta entre a justa herdeira do retrato e o governo Austríaco), e deliciosamente repete a frase “too expensive”. Kimmelman fala também sobre outros quadros de Klimt que estão temporariamente acompanhando Adele na Neue Galerie (inclusive Adele Bloch-Bauer II, 1912), e sobre preço e valor de arte.

For that amount, assuming it is what Mr. Lauder paid, his portrait of Adele, a hedonistic masterpiece, will be talked about in terms of how many lives might have been saved or how many lifted from poverty for this sum.

It’s inevitable. But ludicrous. The Met spent more than $45 million two years ago for a tiny Duccio “Madonna and Child” whose modesty seems its most endearing virtue. The tipping point between endearing and hedonistic is evidently somewhere around $100 million.

As for the border separating public interest from private enterprise, it has never been fixed. The Neue Galerie is Christie’s annex now, exhibiting paintings for sale ($15 general admission, no children under 12 allowed), whose display is also a public service.

Someday Adele will be seen for just what she is: beautiful, a gift to the city. And $135 million may even come to look like a bargain.

Eu assino embaixo, e publico aqui meu agradecimento a Lauder por ter pendurado este retrato numa galeria aberta à visitação pública. É o que chamo de dinheiro bem gasto.

Christopher Knight, crítico de arte do L.A. Times, escreveu sobre a obra de Klimt em abril passado:

As a pair, “Adele I” and “II” create a captivating dialogue of Klimt’s artistic trajectory at an unparalleled moment — a conversation centered on the Jewish patron critical to it. Together they begin to tell the heady story of Vienna as a profound social, intellectual and artistic engine driving modern culture before World War I.

(…) Why is the 1907 portrait so significant artistically? Think of it as a hinge — a pivot between a moribund, impossibly constricted world about to vanish forever and a new one whose contours could only be imagined.

With an exquisitely rendered image of a pretty, contemplative and artful young woman — his likely lover — the artist transformed an illustrious classical myth into a metaphor of creative ecstasy. Adele is Klimt’s Danae.

In the ancient myth, the beautiful princess Danae was locked away in a bronze tower by her father, who had been warned by an oracle that one day her son would kill him. The randy Zeus — a god who loved a challenge almost as much as sex — devised a way to get to the imprisoned virgin. He transformed himself into a shower of gold dust, seeping through cracks in the ceiling and enveloping, irradiating and impregnating her.

Painters from Titian to Edward Burne-Jones painted the Greek myth, at times casting the characters in their Roman guises. In a monumental 1603 version of the story painted by the great Dutch Mannerist Hendrik Goltzius — a masterpiece already in LACMA’s collection — the shocking theme is mercenary love. Danae, a sumptuous nude asleep on a pillow of platinum-colored satin amid a flurry of impish cherubs, is attended by a grizzled crone acting as procurer for the impatient Jupiter; leering Mercury, Roman god of commerce, looks on with glee. Greed and power are about to soil purity.

Klimt also painted the myth, in an explicitly sexual work still in a private Austrian collection. But Adele, his metaphoric Danae, is a thoroughly modern Jewish woman of taste, style, brains and means. The artist showers her in a torrent of gold, the light enveloping her body and ready to re-conceive the world.

Knight continua, comparando Adele à Les Demoiselles d’Avignon de Picasso, também de 1907, e o retrato posterior de Adele por Klimt em 1912. O artigo é fascinante.

Gostei muito de ler o que Kimmelman e Knight escreveram, especialmente porque ontem também saiu um artigo no Wall Street Journal que me deixou soltando fumaçinhas: Shopping-Mall Masters, por Kelly Crow. Crow fala sobre quadros com pores-de-sol fosforescentes, unicórnios e golfinhos saltitantes, daqueles que a gente torce o nariz ao ver num quarto de hotel ou sala de espera, que valem $10 e estão sendo vendidos por $300.000 e, no caso de um certo “pintor” que tem lojinhas em muitas cidades turísticas americanas, 4 milhões de dólares. Vá entender. Oscar Wilde disse que cínico é o homem que sabe o preço de tudo e o valor de nada. Tem gente, e muita gente, que não sabe nem o preço.

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Curta-metragens de animação pela NFB

julho 15, 2006 at 1:19 pm (abstraindo, passeando, sorrindo)

The Cat Came BackThe National Film Board of Canada tem a reputação de produzir e distribuir documentários e curta-metragens de animação de excelente qualidade.

A NFB colocou 50 curtas de animação para assistir on line, um filminho mais interessante que o outro, alguns muito engraçados (Via BoingBoing).

Entre os que vi e mais gostei estão A Chairy Tale (musicado por Ravi Shankar e Chatur Lal), The Big Snit, Bully Dance, Elbow Room, Neighbours e The Sand Castle.

Acima está um snapshot de The Cat Came Back (Cordell Barker, 1988), baseado numa canção folclórica de mesmo nome.

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SigSag

julho 10, 2006 at 5:01 pm (abstraindo, matutando)

Acaba de entrar em órbita o SigSag, blog da minha irmã tecelã, bordadeira, escultora, tricoteira, crocheteira, florista e tantas outras coisas. Eu vinha insistindo com ela que criasse um blog para registrar suas artes, pois muitas coisas ela dá de presente e assim acaba esquecendo do que já fez.

Cada peça tem toda uma estória, além da beleza dos materiais crus e do produto final, existe a inspiração, o aprendizado das técnicas, as conversas de quando se estava trabalhando com mais alguém. São lembranças tão importantes e que a gente retoma cada vez que olha para aquele trabalho.

Minerva et les Muses, por Jacques Stella, 1640-45Minha amiga Gisele foi quem me inspirou a convencer minha irmã a criar seu próprio blog. E agora a Gisele e seu grupo de amigas arteiras criaram um blog dos seus encontros semanais de costura, quilting, bordados e troca de receitas culinárias. Batizaram-no de Minerva’s Circle, em homenagem à deusa romana dos trabalhos manuais e sabedoria. Ao lado está Minerva et les Muses, por Jacques Stella (1640-45).

Quando eu era criança, minhas tias e suas amigas se reuniam semanalmente na casa da minha avó, e ficavam trabalhando nos seus crochês, bordados e maquinações. Era muito divertido, peças maravilhosas foram criadas nestes encontros, as inspirações se multiplicavam, as técnicas eram passadas de uma à outra. Minha avó fazia uns riscos à mão livre e saia bordando com fios e fitas. Ela podia tirar a idéia de uma revista ou de outra pessoa, mas ao invés de copiar exatamente ela criava os moldes com as próprias mãos e ia inventando enquanto o trabalho tomava forma. Quantas bolsas, toalhas de mesa, vestidos e blusas nós sobrinhas e netas ganhamos, uma peça mais linda que a outra. Felizmente ainda tenho comigo alguns dos tesouros criados pela avó e tia que já se foram.

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Seaweed Cake

junho 25, 2006 at 11:04 pm (abstraindo, misturando)

img_0132_peq.jpg

Uma família amiga está voltando ao México, e hoje tivemos um almoço para nos despedirmos. A intenção inicial era um bolo em vermelho, verde e branco, mas quando comecei a trabalhar com o fondant acabei optando por verde oliva e rosa antigo.

A inspiração com os novos tons foi de flores do campo, mas meu marido batizou a criação de Seaweed Cake, Bolo de Algas. Seja como for, ficou muito adequado, pois os homenageados são biólogos, o marido trabalha com leões marinhos (comedores de algas), a mulher com borboletas.

img_0116_peq.jpgEste maravilhoso prato de bolo foi presente de amigos muitos queridos, minha segunda família. Fiquei feliz de estreá-lo com um bolo que fizesse juz à sua beleza e carinho.

Há testemunhas de que o bolo também estava muito gostoso. Fiz um pão de ló de coco e rum, recheio e cobertura de manteiga batida com leite condensado. Finalmente recobri e decorei o bolo com fondant.


Pão-de-Ló de Coco

4 ovos
2 2/3 xícaras de açúcar
1 1/3 xícara de óleo
2 colheres de rum
2 2/3 xícaras de farinha de trigo
1 1/2 colheres de chá de fermento em pó
1 1/3 xícara de leite
1 1/3 xícara de coco seco ralado bem fino
½ xícara de rum (opcional)

Pré-aqueça o forno em 175°C (350°F). Unte e enfarinhe uma forma desmontável de 25cm de diâmetro.

Bata os ovos em velocidade média-alta. Lentamente adicione o açúcar e bata até ficar um creme grosso e esbranquiçado. Adicione o óleo e o rum, bata bem. Adicione o fermento e a farinha, alternando com o leite. Junte o coco ralado e misture.

Derrame a massa na forma preparada. Asse por 70 à 90 minutos, ou até um palito enfiado no bolo sair limpo.

Deixe o bolo esfriar numa grade por 20 minutos antes de remover da forma. Corte o topo do bolo para nivelar, se desejar regue com ½ xícara de rum e deixe absorver. Deixe o bolo esfriar na grade antes de cortar horizontalmente.

Glacê de Leite Condensado

350g de manteiga
1 colher de chá de essência de baunilha
1 lata de leite condensado

Bata a manteiga em velocidade média-alta até ficar um creme esbranquiçado. Junte a baunilha e bata mais um pouco. Faça dois furos pequenos na lata de leite condensado e despeje a lata inteira, com a batedeira sempre ligada. Bata até formar consistência de glacê.

Este glacê é firme mas bastante macio e pouco resistente à calor, serve para rechear e cobrir bolos, e fazer decorações simples com bico de confeteiro (não serve para fazer flores ou formas elaboradas). Esta quantidade é suficiente para rechear o bolo generosamente, e para cobri-lo com uma camada fina (se não for recobrir o bolo com fondant, aumente a receita de glacê).

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The Ball of Bastards

junho 20, 2006 at 12:02 am (abstraindo, sorrindo, torcendo)

The Piercing ShriekThe Ball of Bastards, um sítio criado por três graduados da Köln International School of Design, tem como propósito acalmar os fãs frustrados por tudo que há de errado na Copa de 2006.

Are you tired of watching your favorite team falter and fail?
Are you tired of not getting tickets to games – even though the stadiums are often half-empty?
Are you tired of watching over-paid players underperform?

If so, then we've got something for you. It's called THE BALL OF BASTARDS and it gives you a way of making it pay back time.

The Piercing Shriek é para matar o Pierluigi Collina a grito. Consegui fazê-lo em 34 segundos.

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Совецкий фото альбом

junho 16, 2006 at 12:03 am (abstraindo)

Совецкий фото альбомLinda coleção de fotos p&b da União Soviética a partir dos anos 50 (Via BoingBoing).

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The Oxford Project

junho 8, 2006 at 6:31 pm (abstraindo, matutando)

Durante a primavera e verão de 1984 Peter Feldstein fotografou 670 dos 673 habitantes de Oxford, Iowa. 21 anos depois, Feldstein volta para fotografar aqueles que ainda moram na cidade, desta vez acompanhado pelo escritor Stephen G. Bloom (via BoingBoing).

Peter invited me to work with him. “Ask Oxford people to share their stories with you,” he said. By now I’ve conducted dozens of interviews. Some people talk about religion, others about relationships gone bad. Some break down in tears, recalling incidents they had not, or rarely, acknowledged before. There is a great deal of courage in what people say. The language of not just a few is pure poetry.

The Oxford Project O menino que sonhava ser motorista de caminhão como seu pai faz reformas residenciais, e acaba de receber a visita do primo Ashton Kutcher, avec; o veterano da segunda guerra foi um dos quatro soldados que fizeram o reconhecimento do campo de concentração em Buchenwald; a senhora de 96 anos está convicta que Deus vai lhe abrir as portas do céu.

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Bathsheba Grossman

junho 5, 2006 at 6:51 pm (abstraindo, passeando)

Bathsheba GrossmanQuando eu vi o trabalho de Richard Sweeney eu lembrei de umas lindas esculturas de metal com formas geométricas que já tinha visto antes, mas não consegui lembrar o nome da autora. Este final de semana Sweeney postou uma entrada sobre esta artista — Bathsheba Grossman — em seu blog, e outra sobre a inspiração que ela está lhe trazendo.

Espero que Grossman também encontre as esculturas de Sweeney… Eles partem de extremos opostos, Grossman trabalha com fórmulas matemáticas antes de moldar o material, enquanto que Sweeney experimenta com a flexibilidade do papel e suas qualidades estruturais, mas ambos chegam nestas formas orgânicas que dão vontade de por a mão e seguir com os dedos.

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Richard Sweeney

junho 2, 2006 at 11:52 pm (abstraindo, passeando)

Paper Sculpture Created by Richard SweeneyBelíssimas as esculturas em papel de Richard Sweeney. Seu trabalho pode ser visto em seu sítio, no Flickr, e no seu blog onde ele também comenta o trabalho de outros artistas.

Richard Sweeney fala de sua inspiração:

I'm highly influenced by natural form; structures in nature are very efficient, the maximum is achieved using the least material and energy possible. Growth patterns produce forms that appear very complex, yet have a basic underlying principle.

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Cadernos de cinema

maio 24, 2006 at 11:52 pm (abstraindo, matutando)

Nestas últimas semanas nos esbaldamos com vários e excelentes filmes. Vou comentar somente os melhores…

Madame X, de John Singer Sargent (1884)L'Histoire de Marie et Julien (2003), de Jacques Rivette, é um obscuro romance com algumas surpresas interessantes no seu desenrolar, um suspense à la Henry James em The Turn of the Screw. Melhor não contar mais nada para não estragar a estória… O filme tem uma misteriosa Madame X, em nada relacionada à Madame Gautreau (1884) de John Singer Sargent, mas não pude resistir à oportunidade de enfeitar a área com um dos meus retratos favoritos, meu primeiro contato com a obra de Sargent (1856-1925).

La Promesse (1996), de Luc e Jean-Pierre Dardenne, mostra um fragmento da vida de imigrantes ilegais na Bélgica que, imagino, deve ser semelhante ao resto da Europa. O filme é um estudo de caráter, exploração do outro e transformação moral, tem um quê de Central do Brasil.

Caché (2005), de Michael Haneke, é uma provocação à classe média européia e seus ossos no armário. O filme é cheio de ramificações e metáforas politicas sobre racismo, imperialismo, responsabilidades não assumidas, e o pior que ainda está por vir.

De Volker Schlöndorff, Der Fangschuß (1976) e Die Blechtrommel (1979). Der Fangschuß é uma adaptação do romance Le Coup de Grâce, de Marguerite Yourcenar. A estória se passa na Letônia de 1919, a primeira grande guerra acabou mas nos estados bálticos persiste a luta entre a elite prussiana (democrata e nacionalista, buscando independência da Rússia) e os bolcheviques.

É interessante notar que Yourcenar publicou Le Coup de Grâce em 1939. O narrador/protagonista é claramente definido como um nobre abnegado que escolhe voltar à Letônia para lutar pela sua independência, o que ele considera ser uma guerra perdida. Embora o filme acabe antes, os estados bálticos acabam por conseguir sua independência — temporária, pois eles viriam a ser retomados pela Russia na segunda guerra mundial. Mas o episódio histórico é secundário e mal explicado, o que a estória realmente explora são os conflitos românticos e políticos, cheios de ambigüidades.

Die Blechtrommel é a excelente adaptação para o cinema da novela de Günther Grass, de 1959 (O Tambor, no Brasil). A princípio parece ser a alegoria de um gurizinho irritante e manipulativo que, aos três anos de idade na Danzig de 1927, decide parar de crescer. Como a cidade, o menino tem três identidades étnicas, polonesa, alemã e kashúbia. Eventualmente ele recusa as três, livrando-se também de seus relativos Laio, Políbio e Jocasta. Sua recusa em crescer vem a ser sua rejeição do mundo obtuso dos adultos à sua volta, e assim ele consegue flutuar na sua realidade paralela em meio ao caos das próximas décadas. Oskar é o herói não conformista.

Este comentário sobre a obra de Günther Grass, por Ashok Chopra, pode muito bem ser aplicado ao filme:

What migration taught Grass was the meaning (or disruption) of reality: that reality was an artifact, that it does not exist until it is made, and that like any other artifact it can be made well or otherwise. (…) Like all migrants, Grass is much more interested in images than places; he sees the world through ideas, through metaphors which makes some sense of a senseless world."

(…) [The Danzig trilogy – The Tin Drum, Cat and Mouse, Dog Years] also ask embarrassing questions on the complacency of the German middle classes (or the middle classes everywhere) and its willing submission to Authority for the sake of security and the little crumbs of life. (…) Though the main issues are political, the paradigms usually direct us beyond politics or to a dimension that is decidedly prepolitical. It teaches us that human behaviour had best be evaluated by standards that have nothing to do with political systems or ideologies. A fellow like Oscar's father Alfred Matzerth, may decide that it is expedient to wear a Nazi party pin and to attend Nazi rallies, but he is to be understood not as a victim of ideology but of bourgeois conformism that has only an incidental political component.

John Singer Sargent's Lady Agnew of Lochnaw, por John Singer Sargent (1893)The House of Mirth (2000), de Terence Davies, é a adaptação da novela homônima de Edith Wharton, de 1905. A estória é tragica mas bastante realista, uma excelente crítica dos costumes vigentes na sociedade americana no começo do século. Enquanto The Age of Innocence mostra comunicações sufocadas, The House of Mirth esmaga qualquer ilusão romântica sobre a vida das mulheres naquela época. Seja como for, continuo apaixonada pelos vestidos e penteados, fazer o que? Ao lado, também por John Singer Sargent, Lady Agnew of Lochnaw (1893).

O favorito entre todos os filmes foi o documentário Saudade do Futuro (2000), de César Paes e Marie-Clémence, em que imigrantes nordestinos traçam um retrato de sua vida na grande São Paulo. Os depoimentos já são interessantes pelo conteúdo, mas a linguagem que usam e a graça que fazem de si mesmos e do mundo são de aquecer o coração, fui eu que fiquei cheia de saudades. Tem uma cena em que uma senhora está sentada ao lado da filha numa cama, casualmente ela vai desenrolando suas desventuras amorosas, as duas riem o tempo todo. É a cara do Brasil.

Boa parte do documentário mostra repentistas repentindo (não pude resistir). A música é excelente, mas impagável é o vocabulário. Além do humor nas críticas e desafios improvisados, tem aquele uso da linguagem característico do nordeste brasileiro, tão colorido e cheio de poesia.

Uma das minhas grandes amigas por estas bandas é cearense, e com ela aprendi o termo "conversa de miolo de pote", para aqueles papos que não saem do hoje-está-tão-quente. Outras pérolas são emendar os bigodes (brigar), assentar o cabelo (morrer), mulher-de-piôlho (pessoa obstinada) e mamãe-vem-aí (fecho éclair).

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Ambigramas

abril 21, 2006 at 12:41 am (abstraindo, matutando, passeando)

LifeDeath2.gifAcabo de aterrisar no sítio de John Langdon, um designer de ambigramas — desenhos caligráficos que mostram diferentes leituras, ou a mesma leitura em duas ou mais orientações.

O que me lembrou de duas páginas da Omni Magazine, pelos idos de 1981 ou 1982, com vários exemplos de ambigramas. Este aí ao lado, o autor que me desculpe pois não consegui achar seu nome, eu tinha copiado e grudado na minha pasta do colégio (do outro lado da pasta eu pus uma cópia da Madonna de Basil Wolverton).

A Omni era uma revista de tecnologia, ciência e ficção científica, uma espécie de Wired Magazine dos anos 80, ainda que mais inteligente e sofisticada (leia-se "antes do visual hiperativo tomar conta dos desenhos animados e publicações moderninhas"). Infelizmente a revista fechou em meados dos anos 90. Alguns de seus últimos suspiros estão disponíveis em Find Articles.

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Pearl River Tower

abril 19, 2006 at 12:59 pm (abstraindo, matutando)

Pearl River TowerA firma de arquitetura Skidmore, Owings & Merrill ganhou a competição internacional pela comissão do projeto para a Guangdong Tobacco Company em Guangzhou (uma cidade de clima sub-tropical no sul da China).

O projeto propõe um edifício auto-suficiente em termos de energia. As superfícies curvas e reentrâncias na fachada têm a função de puxar vento, que irá alimentar turbinas e produzir eletricidade. O consumo de energia também é reduzido pelo projeto interno que maximiza o uso de luz natural; vidros que reduzem absorção de calor do sol; coletores solares para esquentar água (e produzir mais eletricidade); e retenção de água de chuva para o sistema de aquecimento, ventilação e ar-condicionado.

A Architectural Record traz um artigo descrevendo os detalhes destas e várias outras estratégias de reciclagem de energia do edifício, é muito bacana.

Não deixa de ser interessante, o prédio de uma companhia de cigarros ajudando a limpar o meio ambiente!

John Hancock Center Skidmore, Owings & Merrill (SOM) é a firma de arquitetura baseada em Chicago também responsável pelo John Hancock Center (1970), um edifício bastante inteligente em termos estruturais. As braçadeiras na diagonal reduzem quase que pela metade a necessidade de aço na estrutura, e assim os 100 andares de uso comercial e residencial têm grande liberdade para arranjar o espaço interno.

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New Yorker: Jesus Laughed

abril 12, 2006 at 8:28 pm (abstraindo, matutando)

La Pendaison de Judas (Gislebertus, 1120-30) na Cathédrale Saint-Lazare d'AutunQuinta-feira passada a National Geographic Society anunciou a publicação do evangelho de Judas Iscariotes. Acredita-se que este evangelho, que fora classificado como herético no século II pelo Bispo de Lyon, originalmente tenha sido escrito em grego. Nos idos de 1970 um manuscrito em copta foi achado no Egito, e depois de passar por muitas mãos, descansar por 16 anos num cofre nos EUA, e ser resgatado por um antiquário suíço que o disponibilizou para pesquisas, somente agora a tradução para o Inglês foi concluída por um grupo internacional de cientistas e pesquisadores. Em Lost Gospel há fotos do manuscrito, trechos da tradução e outras coisinhas.

A New Yorker de 17 de abril traz um comentário interessante sobre o evangelho e as implicações deste: Jesus Laughed por Adam Gopnik.

Known to exist since the second century, this “Gospel of Judas” is, in one way, simply another of the Gnostic Gospels, like those found at Nag Hammadi, in Egypt, sixty years ago: unorthodox Christian documents, written by, or at least circulated within, communities of eccentric faith that flourished in the first and second centuries. These Gospels play with a series of variations on Christian belief: the irredeemable corruption of the world we live in, the hidden truth that the Old Testament God who created it was an ignorant or malevolent demiurge, and Jesus’ essence as a being of pure spirit, an emissary from another and higher realm. What makes this second-century Gnostic Gospel different is, perhaps, the extreme aggression of its heresy; it represents “Christianity turned on its head,” in the words of one commentator, the religious historian Bart D. Ehrman, by making the villain in the story the hero.

O que me lembra de Jorge Luis Borges e suas Tres versiones de Judas. Borges defendeu a hipótese de que Judas era dentre os apóstolos aquele que verdadeiramente acreditava no poder de Jesus Cristo, aquele que tornaria possível a paixão de Cristo e que portanto seria o verdadeiro salvador da humanidade.

Precedido por algún alemán, De Quincey especuló que Judas entregó a Jesucristo para forzarlo a declarar su divinidad y a encender una vasta rebelión contra el yugo de Roma; Runeberg sugiere una vindicación de índole metafísica. Hábilmente, empieza por destacar la superfluidad del acto de Judas. Observa (como Robertson) que para identificar a un maestro que diariamente predicaba en la sinagoga y que obraba milagros ante concursos de miles de hombres, no se requiere la traición de un apostol. Ello, sin embargo, ocurrió. Suponer un error en la Escritura es intolerable; no menos tolerable es admitir un hecho casual en el más precioso acontecimiento de la historia del mundo. Ergo, la trición de Judas no fue casual; fue un hecho prefijado que tiene su lugar misterioso en la economía de la redención.

Voltando ao Evangelho de Judas Iscariotes e o comentário de Adam Gopnik…

Orthodox Christians will point out, correctly, that there is no new “challenge” to the Church in the Judas Gospel, much less a crisis of faith. This is an ancient heresy, dealt with firmly, not to say brutally, throughout Church history. The finding of the new Gospel, though obviously remarkable as a bit of textual history, no more challenges the basis of the Church’s faith than the discovery of a document from the nineteenth century written in Ohio and defending King George would be a challenge to the basis of American democracy. There are no new beliefs, no new arguments, and certainly no new evidence in the papyrus that would cause anyone to doubt who did not doubt before.

Yet the Judas Gospel is an eye-opener anyway. First, because it is useful to be reminded, in a time of renewed fundamentalism, that religions actually have no fundament: that the inerrant texts and unchallenged holies of any faith are the work of men and time.

O artigo inteiro está disponível no sítio da New Yorker.

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The Proceedings of the Athanasius Kircher Society

abril 8, 2006 at 2:05 pm (abstraindo, matutando, passeando)

Hoje passei algumas horas explorando The Proceedings of the Athanasius Kircher Society, o blog de uma entidade criada em honra ao jesuíta, intelectual, cientista e visionário germânico. Pioneiro de muitas teorias, Athanasius Kircher é comparado à Leonardo da Vinci e Robert Hooke pela amplitude e profundidade de sua obra, e sua inventividade.

Our interests extend to the wondrous, the singular, the esoteric, the obsessive, the arcane, and the sometimes hazy frontier between the plausible and the implausible — anything that Father Kircher might find cool if he were alive today. Records of our proceedings are maintained for the public’s edification.

E edificada eu fui. Em The Gottorp Globe, aprendi sobre este predecessor do planetário moderno:

Gottorp GlobeDating back to 1650, it is a reminder that science has always had a fun side. The 3-metre-diameter globe is hollow, and has mythological pictures of the constellations on the inside [and a map of the world on the outside]. Turned by water power, it demonstrates the “movement” of the heavens to those seated inside in candlelight. Czar Peter the Great of Russia coveted this marvellous toy and received it in 1713 as a present from the Duke of Holstein-Gottorp, whose forbears had built it in a palace garden to amuse and amaze visitors.

Em março passado houve uma semana dedicada à arquitetura visionária. Um dos artigos fala de Jean-Jacques Lequeu:

Jean-Jacques LequeuJean-Janques Lequeu, the turn-of-the-nineteenth-century French architect of fanciful yet preposterously implausible (and unrealized) buildings, is a hero of the Athanasius Kircher Society.

“The inventions of Lequeu … belong to another world, a world pervaded by dreams and eccentricities. Lequeu’s universe is crowded with details and marginalia, but it is nonetheless empty: alcoves are deserted; temples have no devotees; roads no traffic. The question becomes inevitable: Was Lequeu ever addressing anyone but himself?”

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Projeto Releituras

abril 5, 2006 at 7:44 pm (abstraindo, matutando, passeando)

Hoje descobri o Projeto Releituras, um sítio dedicado à divulgação de escritores e textos na língua portuguesa. Além de pequenas biografias e outras coisas interessantes, existe uma coleção de textos bem conhecidos de escritores reputados, apresentados pelo Releitura com ilustrações. Matei saudades dos "estados de graça" da Última crônica de Fernando Sabino, e d'Os bonecos de barro de Clarice Lispector.

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