Futebol e personalidades geopolíticas

junho 19, 2006 at 7:05 pm (matutando, torcendo)

Generalizações são sempre perigosas, mas quem resiste à tentação? Michael J. Agovino do New York Times fala da neurose dos holandeses, a paranóia persecutória dos italianos, o pessimismo melodramático dos ingleses, e naturalmente, o transtorno bipolar do torcedor brasileiro em Losses, and the Losing Losers Who Hate Them:

One favorite response is scapegoating. In 1950, Brazil, the host and favorite, lost in the final to Uruguay. The author Alex Bellos, in his book "Futebol: Soccer, the Brazilian Way," writes that the goalkeeper, Barbosa, "became the personification of the national tragedy." He died 50 years later, apparently unforgiven by his countrymen.

Although Brazil has suffered cataclysmic defeats in addition to 1950's, it has won a record five World Cups.

"Brazilians, to generalize awfully, are emotionally bipolar," Mr. Bellos, who divides his time between England and Brazil, said in an interview. "Everything is either the best in the world or the worst in the world. They have a superiority complex in terms of football, yet the flipside is a developing nation's crushing insecurity complex. When they win they forget their problems. They are the happy, party-loving. When they lose it reinforces a sense that they are useless and predestined towards failure — not just in football but in everything."

O artigo é interessante, mas carece de um comentário sobre nuestros hermanos porteños. Conhecidos que são pela abundância de psicólogos e psicanalistas per capita, é até injusto que logo as suas paranóias tenham ficado de fora.

No Wall Street Journal deste último sábado, Henry Kissinger (o próprio & continuando) falou de seu amor pelo esporte e fez suas próprias generalizações em entrevista para Frederick Kempe, Couch-Potato Diplomacy:

He's fascinated with how national characteristics translate into playing styles: Brazil's unbridled joy, England's noble purpose, Germany's grim determination.

Aqui eu faço parêntesis e peço que alguém me elucide sobre os nobres propósitos da Inglaterra. Falando de política externa ou história dos últimos 500 anos, parece piada, então eu lembro que (1) agora mesmo eu estava falando de delírios; (2) o comentário veio de alguém que já ganhou o prêmio Nobel da paz, e não foi na Ilha da Fantasia. Mas mesmo que eu limite o comentário à futebol, no momento só consigo lembrar do Peter Crouch puxando as madeixas de Brent Sancho no jogo contra Trinidade e Tobago.

"When a Brazilian team is in good form, it looks like a ballet coming down the field. There are two troubles with the Brazilians: One is they get so infatuated with their dancing and acrobatics that they sometimes forget to shoot goals. The other is they often don't have a good goalkeeper. My explanation is that he doesn't like staying back and not joining the fun."

Dr. Kissinger worries that globalization is "brutalizing" the Brazilians, who have lost some of their Latin panache. All but three of their 11 players have had their styles dulled by playing in the highest-paying but more-conformist European leagues, he says.

Palavras que falam tanto de quem as proferiu quanto do objeto da discussão:

He has high praise for the Argentinians. "They have many of the skills of the Brazilians, but are ruthlessly oriented toward scoring goals and doing whatever is necessary to win," he says.

3 Comentários

  1. sigsag said,

    Também gostaria de saber que “nobres propósitos” são esses relacionados aos ingleses. Uma vez que a Inglaterra não pode mais dominar o mundo (esse sim, um de seus não muito nobres propósitos até o século passado e parte dele), até hoje o que mais vi e ouvi foi sobre a truculência e brutalidade sem tamanho de seus tão aclamados hooligans.
    Aliás, quem vai dizer aos americanos que o esporte deles não é o futebol?
    Os hermanos têm bons motivos para seu conhecido orgulho nacional. Não apenas no futebol. Muito bem colocado o comentário sobre o número de psicanalistas e psiquiatras. Há vinte anos ouvi, de um portenho e em Buenos Aires, que o que mais dá dinheiro lá é “cuidar da cabeça”. Há um mês, vi que as coisas continuam na mesma. Por isso o grande número de cabelereiros, psicanalistas, dentistas, peruqueiros e, claro, restaurantes e cafés. Afinal, apesar de acabar no estômago, a comida antes passa pela boca e dá sinais ao cérebro de satisfação.
    Já sobre os brasileiros… bairrismo à parte, ainda somos os melhores, apesar do estrelismo de alguns jogadores que, na hora do vamos ver, embirram. É incrível como com tantos egos inflados, ainda conseguimos extrapolar todas as expectativas. Bipolares? E não somos todos nós, seres humanos?
    ADOREI ver a França empatar com a Coréia. Quase que poético vê-los lutando para não terminar de afundar na própria empáfia. Depois de 98, eles merecem gramar até o final deste século 21.
    Podem imaginar o que seria uma partida de final de Copa como Brasil X Argentina? Melhor impossível! Aguardemos, pois muita bola ainda vai rolar pelos gramados da Alemanha.

  2. strambinha said,

    E agora ficou para nós a tarefa de chutar os traseiros franceses de volta para casa…
    Queiram as forças do bém e do além e de sei lá mais quem que seja isso mesmo que aconteça, rssss.

  3. sigsag said,

    Tudo bem… o Brasil caiu fora (e nas mãos da França!!!ARGH!!!), mas… A ITÁLIA VENCEU!!!! É TETRA!!!!AVANTE AZZURRA!!!!
    Engraçado foi com a Alemanha – nem deu pra Itália sentir o gostinho de mandar eles pra casa… Linda a festa que os alemães fizeram, homenageando seus jogadores.
    O melhor mesmo foi ver a cara de incredulidade dos franceses. Como eu disse antes – espero que eles não levem mais nada, pelo menos até o final deste século.

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