Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba

junho 7, 2006 at 1:55 pm (matutando, misturando, verdejando)

Agradeço à escritora Regina Rheda minha alegria ao confirmar que o mundo está realmente evoluindo. Não bastasse a Sociedade Vegetariana Brasileira estar presente em Curitiba, o capítulo desta cidade está promovendo o Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba, de 23 à 25 de junho de 2006. A entrada é franca, o programa segue abaixo. Confirmação de presença e maiores informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

E em São Paulo, de 4 a 8 de agosto de 2006, o Primeiro Congresso Vegetariano Brasileiro e Latino-americano!

Que bom que as coisas estão mudando. Ser vegetariano no Brasil não é fácil. Nos Estados Unidos e na Europa a situação não é muito melhor, mas o vegetarianismo é mais comum. Como será no resto do mundo? No Brasil muita gente acha que é frescura, coisa de quem quer chamar a atenção. E embora haja enorme escolha de frutas e verduras deliciosas, cozinha e cultura brasileiras são baseadas em carne. No sul do país as comidas são separadas mas prevalece a idéia de que quem não come carne de vaca desmaia de anemia, no centro tudo é misturado e inclui vaca ou porco, no norte tudo tem peixe ou frutos do mar.

Quando eu era criança, adultos e crianças me olhavam com desaprovação, achavam que eu fosse uma criança mimada — muito pelo contrário, em casa eu era forçada a comer todos os tipos de carne. Não podia levantar da mesa enquanto não engolisse todas aquelas coisas que punham no meu prato e que, para o meu paladar, são repugnantes. Adorava ir na casa dos outros e poder recusar as carnes, e ficava muito satisfeita com cenouras, saladas cruas ou batatas, mas existia sempre o desconforto de estar dando trabalho. Meus pais pediam milhões de desculpas aos meus anfitriões, pelo menos na casa dos outros não me forçavam a comer carne. Agradeço a imensa paciência de quem me recebeu, atendeu às minhas restrições, e tolerou minhas perguntas sobre o que tinha dentro das comidas, pois ainda hoje sou muito desconfiada.

Desconfiada sim, pois muita gente acha que dieta vegetariana se resume a não comer carne de vaca ou pedaços sólidos. Volta e meia os não-vegetarianos pensam que comeremos lasagna com presunto, sopa feita com caldo de galinha ou pedaços de carne "para dar gosto", bolinhos com bacon, maionese de camarão, molho de tomate com carne moída, etc.

Teve também quem me pôs à vontade, brincando com a convidada que não dava despesas, "pode vir almoçar aqui em casa todo dia". Tentei levar essa idéia para casa e convencer meus pais de que eu merecia um acréscimo na mesada por ser tão econômica. Eu insistia todo domingo, ao ver a conta do restaurante e confirmar que meu almoço tinha saído de graça ou cinco vezes mais barato que o de qualquer outra pessoa da mesa, mas nunca funcionou.

Hoje encontro quem diz que não mais tolera a digestão da carne vermelha e está pensando em cortar as outras também, mas que tem medo de ficar doente numa dieta vegetariana. Para quem gosta de queijos e ovos isso não é problema, absolutamente. Para quem deseja ser vegan (excluindo qualquer produto animal, inclusive mel) o ideal é fazer a transição aos poucos e verificar a necessidade de complementar a dieta com vitamina B. O cálcio pode ser obtido do leite de soja, legumes e folhas verdes escuras.

Pesquisas científicas têm repetidamente comprovado que o vegetarianismo é extremamente saudável — para o planeta e para o indivíduo. Raros são os vegetarianos com excesso de peso, diabetes ou pressão alta. A incidência de câncer também é significativamente mais baixa, para alguns tipos de câncer quase inexistente.


Primeiro Simpósio Vegetariano de Curitiba
Vegetarianismo: Paz Para Todos Os Seres

P R O G R A M A

Sexta-feira, 23 de junho de 2006

Local: UFTPR (antigo Cefet) – Av. Sete de Setembro 3165, Centro.

  • 19h00min: Conferência – "Vegetarianismo, Preservação Ecológica e Solução para a Fome Mundial", com a socióloga e tradutora Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira; mostra do capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca" (produção do Instituto Nina Rosa); perguntas da platéia; término do filme.
Sábado, 24 de junho de 2006

Local: TUC – Teatro Universitário de Curitiba – Galeria Júlio Moreira, sem número, Centro (passagem subterrânea entre a Praça Tiradentes e o Largo da Ordem).

  • 9h00min às 9h55min: Conferência – "Ecologia e Vegetarianismo – Se você se importa com o Planeta, seja vegetariano", com a engenheira florestal Michelle M. Althaus Ottmann, paisagista e integrante do Instituto Agroecológico; capítulo sobre ecologia do filme "A Carne é Fraca".
  • 10h30min: Conferência – "O Vegetarianismo e a Sua Saúde – Longevidade e qualidade de vida com a dieta vegetariana" com Marly Winckler; capítulo de saúde do mesmo filme.

Local: SESC Centro – Rua José Loureiro 578, Centro.

  • 14h30min: Conferência – "Direitos dos Animais e Vegetarianismo: os animais têm inteligência, sentimentos e capacidade de sentir dor?"; com Danielle T. Rodrigues, advogada ambientalista e professora universitária; trechos dos filmes "Não Matarás" e "A Carne é Fraca".
  • 16h20min: Mesa Redonda – "Caminhos para a Paz: Vegetarianismo, Esperanto, Preservação Ecológica e Proteção Animal – Experiências e propostas".
Domingo, 25 de junho de 2006

Local: Brahma Kumaris – Rua Professor Macedo Filho 199, Bom Retiro.

  • 9h: Conferência – "Vegetarianismo: Bom para as Pessoas, Bom para os Animais, Bom para o Planeta", com Marly Winckler; perguntas da platéia.
  • 11h: Bate-papo com Marly Winckler sobre a Sociedade Vegetariana Brasileira e o 1? Congresso Brasileiro e Latino Americano (04 a 08 de agosto / São Paulo); filme do Congresso Vegetariano Mundial ocorrido no Brasil em 2004.

Além das conferências e da mesa redonda, haverá outras atrações, com sorteio de brindes, degustação e sessão de autógrafos.

Entrada franca.

Confirmação de presença e/ou mais informações com Rodrigo (41-3362-3166/41-9603-4499) ou Gilmar (41-8418-8773/41-9904-0338).

2 Comentários

  1. Andreza said,

    Me identifiquei muito com uma coisa que você disse: que os não-vegetarianos acham que a gente come presunto, bolonhesa, essas coisas…dá vontade de sair correndo quando escuto essas “preciosidades”. E realmente a dieta vegetariana é bastante econômica. Verduras, legumes e cereais sempre são mais baratos que carnes ou produtos derivados. Moro no sul e aqui é a terra do churrasco. Sofro um pouco com isso, porque aqui vira e mexe é churrasco prá comemorar qualquer coisa. Sorte que a minha família é mente aberta e não me aborrecem muito, mas ainda não consegui fazer esles virarem vegetarianos. Quem sabe um dia eu consigo…Um abraço!!

  2. strambinha said,

    Pois é Andreza, vida de vegetariano não é fácil, ficam nos olhando como se fôssemos bicho de outro planeta.

    Eu também sou do Sul, mas por incrível que pareça eu gosto do cheiro de churrasco de carne vermelha. E como adoro um pão francês com vinagrette, consigo sobreviver. :-)

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