Scientific American: Sustentabilidade em um mundo lotado

junho 6, 2006 at 7:27 pm (matutando, verdejando)

Ontem foi o Dia Mundial do Meio Ambiente e da Ecologia, e recebi de um amigo o artigo do economista Herman E. Daly publicado na edição brasileira da Scientific American em outubro passado: Sustentabilidade em um mundo lotado. Daly argumenta pelo controle do crescimento econômico e sugere, entre outras coisas, taxas sobre poluentes e extração de recursos naturais ao invés de imposto sobre renda; e regulamentação do comércio para evitar que (des)economias de crescimento desestruturem economias de desenvolvimento sustentável.

Há quem considere sustentabilidade uma idéia essencialmente utópica, algo que não poderá acontecer numa sociedade capitalista. Acontece que dinheiro não substitui comida, a exaustão do meio ambiente eventualmente acarretará numa catástrofe ecológica — a destruição de qualquer economia.

[A corrente principal dos economias contemporâneos], os economistas neoclássicos, considera a sustentabilidade um modismo e se alia ao crescimento.

Mas há fatos evidentes e incontestáveis: a biosfera é finita, não cresce, é fechada (com exceção do constante afluxo de energia solar) e obrigada a funcionar de acordo com as leis da termodinâmica. Qualquer subsistema, como a economia, em algum momento deve necessariamente parar de crescer e adaptar-se a um equilíbrio dinâmico, algo semelhante a um estado estacionário. As taxas de nascimentos devem ser iguais às de mortalidade, e as de produção de commodities devem se igualar às de depreciação.

Durante minha vida (67 anos), a população humana triplicou, e o número de objetos fabricados cresceu muito mais. O total de energia e material necessário para manter e substituir os artefatos humanos na Terra também aumentou enormemente. À medida que o mundo torna-se repleto de humanos e de suas coisas, ele é esvaziado do que havia antes por aqui. Para lidar com esse novo padrão de escassez, os cientistas precisaram desenvolver uma economia de "mundo cheio" para substituir a tradicional, de "mundo vazio".

Depois de propor vários ajustes na política econômica, Daly fala também sobre a noção de felicidade:

Muito provavelmente, os países ricos atingiram o "limite de futilidade", ponto além do qual o crescimento não incrementa a felicidade. Isso não significa que a sociedade de consumo morreu – apenas que o aumento do consumo além do limiar de suficiência, seja ele fomentado por publicidade agressiva ou compulsão inata por compras, simplesmente não está tornando as pessoas mais felizes, em sua própria avaliação.

Este ponto é particularmente interessante, e é explorado por Andy Beckett em Going Cheap, publicado no The Guardian fevereiro passado. O artigo discute as implicações da avalanche de bens de consumo baratos na sociedade britânica:

But after you have bragged about your bargains you have to live with them. (…) "Over the last 10 years," says Hyman, "we calculate that women have doubled the average number of womenswear items they buy in a year." But over the same period, the cost of living space has been rising as fast, or even faster. (…) The solutions may not be elegant. Garden sheds, he says, are growing in popularity, as cheap spaces for general storage rather than tools. (…) Many homeowners have already gone further: in a current article on outer-London suburbia, the sociologist Paul Barker notes that most garages have been given over to "household junk". The cars are parked in people's front gardens.

Não posso deixar de comentar… Nos EUA, embora as casas sejam enormes e as garagens também, os carros já estão do lado de fora há muito tempo.

You could see all this hoarding as a sign of a growing attachment to possessions. But Coombs sees it as the opposite. "What was in the living room this year will be in the bedroom next year and in the junk room the year after," he says. Kasriel says the chance to sell to eBay has boosted much we buy. "You can tell yourself you have a sensible financial route out."

Unashamedly "disposable" cheap goods, you could argue, are turning us into traders rather than curators of our possessions. It is another victory for capitalism: we have internalised the unsentimental stock control of the modern retailer. Juliet Schor, an American economist and leading critic of the bargain boom, thinks this new form of ownership is less pleasurable than the old one. "The psychologically satisfying process of personalisation that occurs when products are acquired and retained, is truncated," she writes in a recent essay. "Attachment is briefer and there is the constant pain of divestiture [getting rid of things]." What individual possessions represent to us is, she says, "more externally driven" – by marketing and advertising – and "less under the control of the individual consumer".

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